Saúde bucal de idosos (Foto: Magnific)

Falta de prevenção na saúde bucal eleva internações de idosos

Especialista alerta para os riscos de infecções bucais que agravam doenças crônicas e demandam atendimento hospitalar

O envelhecimento da população brasileira traz à tona um gargalo silencioso, mas perigoso, na saúde: o impacto da falta de cuidados bucais na hospitalização da terceira idade. Com mais de 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos no país, dados do DATASUS revelam que milhares de internações poderiam ser evitadas caso houvesse um acompanhamento preventivo adequado na atenção primária.

De acordo com a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, especialista em odontogeriatria, a saúde da boca ainda é negligenciada e tratada de forma isolada nos cuidados clínicos. “Muitos casos começam com sinais simples, mas evoluem porque não são tratados no tempo certo. Quando o paciente chega ao hospital, o problema já deixou de ser apenas odontológico”, afirma.

Infecções como abscessos e doenças periodontais servem como porta de entrada para bactérias na corrente sanguínea, desestabilizando diagnósticos preexistentes. O cenário é ainda mais complexo para idosos com mobilidade reduzida, que enfrentam barreiras físicas para acessar consultórios e dependem diretamente de cuidadores para a higienização diária.

Sinais de alerta como sangramento na gengiva, dor ao mastigar e recusa alimentar costumam ser os primeiros indicativos de problemas, mas frequentemente passam despercebidos. A busca por ajuda médica, na maioria das vezes, só acontece em estágios avançados de dor intensa, quando o tratamento já exige intervenções de alta complexidade.

Para pacientes com doenças crônicas, como o diabetes — que retarda a cicatrização e eleva o risco infeccioso —, a recomendação é realizar avaliações odontológicas preventivas a cada cinco meses, no máximo. Sem o diagnóstico precoce, o problema pode evoluir e interferir diretamente no controle de outras patologias. “A infecção bucal pode agravar a saúde sistêmica do paciente e dificultar a recuperação”, explica a especialista.

A integração da odontologia ao ecossistema de saúde geral do idoso é apontada como um passo urgente diante do envelhecimento demográfico. “Não se trata apenas de cuidar dos dentes, mas de preservar a saúde geral. Quando o cuidado acontece no momento certo, é possível evitar complicações mais graves”, conclui Cristiane Vasconcellos.

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