Raio-X dos ossos (Foto: Pexels)

Raio-X dos ossos (Foto: Pexels)

Saúde

Hormônios afetam saúde óssea e risco de osteoporose aumenta em ambos os sexos

Queda de estrogênio na menopausa e redução gradual de testosterona alteram a densidade óssea com o passar dos anos

A osteoporose atua de forma silenciosa no organismo, desgastando a estrutura óssea de maneira progressiva e elevando o risco de lesões graves. Embora o diagnóstico seja mais comum entre mulheres mais velhas, especialistas destacam que a condição também afeta a população masculina, ocorrendo por mecanismos e em ritmos distintos. O equilíbrio entre a renovação e a reabsorção do tecido ósseo é diretamente governado pelos hormônios sexuais.

O esqueleto passa por um processo constante de regeneração ao longo da vida. As células conhecidas como osteoblastos são responsáveis por sintetizar nova massa óssea, enquanto os osteoclastos atuam na remoção da estrutura antiga.

Para a cientista e farmacêutica, Izabelle Gindri, esse mecanismo de renovação depende de um conjunto de fatores. “Nas mulheres, o estrogênio exerce papel decisivo na preservação da massa óssea. Esse hormônio reduz a atividade dos osteoclastos, responsáveis pela reabsorção dos ossos, ajudando a manter a estrutura óssea resistente. Durante a fase reprodutiva, essa proteção é relativamente eficiente. O cenário muda, porém, com a chegada da menopausa. A queda abrupta na produção de estrogênio acelera a perda de massa óssea. Nos primeiros cinco a dez anos após a menopausa, muitas mulheres podem perder entre 10% e 20% da densidade mineral dos ossos, tornando-se mais vulneráveis a fraturas, especialmente no quadril, na coluna e no punho. É justamente por esse motivo que a osteoporose é mais frequente no sexo feminino e costuma surgir mais cedo”, esclarece a especialista.

Além da menopausa natural, quadros de menopausa precoce, remoção cirúrgica dos ovários ou tratamentos oncológicos que reduzem os níveis hormonais também elevam o risco da doença.

No público masculino, o desgaste ocorre de forma mais lenta. A testosterona atua na manutenção da massa óssea tanto diretamente quanto por sua conversão parcial em estrogênio. Por não haver uma interrupção hormonal brusca, a osteoporose costuma surgir em idades mais avançadas nos homens, o que frequentemente leva ao subdiagnóstico.

“Embora a incidência seja menor entre os homens, as consequências podem ser ainda mais graves. Após fraturas de quadril, por exemplo, a mortalidade masculina é superior à observada entre mulheres, em parte porque eles costumam apresentar mais doenças associadas e recebem o diagnóstico mais tardiamente”, confirma Gindri.

Além das alterações hormonais naturais do envelhecimento, hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso prolongado de corticosteroides, associados a doenças da tireoide, hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, insuficiência renal e enfermidades inflamatórias crônicas, aceleram a perda óssea em ambos os sexos. O hipogonadismo nos homens e a ausência prolongada da menstruação em mulheres (por baixo peso corporal ou excesso de atividade física) também disparam o comprometimento ósseo.

A consolidação da reserva óssea ocorre aproximadamente até os 30 anos. Manter uma alimentação rica em cálcio, níveis adequados de vitamina D e praticar exercícios de impacto e fortalecimento muscular desde cedo garantem maior proteção com o avançar da idade.

O diagnóstico é realizado via densitometria óssea, habitualmente indicada para mulheres na pós-menopausa e homens a partir dos 70 anos — ou antes, caso existam fatores de risco importantes. O tratamento envolve suplementação, medicamentos para regular a densidade óssea e eventual indicação individualizada de terapia hormonal.

“Apesar de ser frequentemente lembrada como uma doença feminina, a osteoporose exige atenção de toda a população. As diferenças hormonais explicam por que homens e mulheres apresentam padrões distintos de perda óssea, mas não eliminam o risco para nenhum dos dois. O envelhecimento da população torna ainda mais importante o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos que preservem a saúde dos ossos ao longo da vida, reduzindo o número de fraturas e preservando a autonomia na terceira idade”, conclui Izabelle Gindri.

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