Reciclagem de bateria (Foto: Freepik)

Reciclagem de bateria (Foto: Freepik)

Sustentabilidade e ESG

Reciclagem de baterias vira desafio com aumento da frota de carros elétricos

Falta de regulamentação para descarte gera alerta ambiental

O aumento expressivo da frota de veículos elétricos no Brasil, que já ultrapassa meio milhão de unidades, traz à tona uma preocupação ambiental urgente: o destino das baterias ao fim de sua vida útil. Enquanto as vendas disparam, impulsionadas principalmente por montadoras chinesas, o país ainda engatinha na regulamentação e na infraestrutura necessária para o descarte e a reciclagem desses componentes.

Apesar de dominarem o mercado nacional, fabricantes ainda não detalharam planos específicos para o manejo de baterias esgotadas em solo brasileiro. A postura contrasta com a atuação dessas mesmas empresas na China, onde um marco regulatório rígido, vigente desde 2016, exige que as montadoras se responsabilizem pela coleta e reaproveitamento do material. “A sistematização do ciclo fechado e a rastreabilidade digital fortalecem a responsabilidade dos fabricantes, ajudando a evitar que as baterias virem passivos ambientais na China”, explica Hudson Zanin, pesquisador da Unicamp.

No Brasil, o cenário legislativo caminha a passos lentos. Uma proposta visa instituir um “passaporte da bateria” para rastrear a origem e a composição dos componentes, similar ao modelo europeu. Marcelo Cairolli, da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), vê a iniciativa como positiva, mas alerta para a necessidade de ajustes técnicos.

Especialistas estimam que, até 2030, entre 1.000 e 2.500 baterias de veículos puramente elétricos chegarão ao fim da vida útil no país. Embora pareça um número baixo, o risco ambiental é elevado devido à presença de substâncias tóxicas e inflamáveis. O descarte incorreto pode liberar compostos perigosos no solo e na água, além de aumentar o risco de incêndios.

Apesar dos desafios, o setor de reciclagem apresenta oportunidades econômicas. O processamento das baterias gera a “black mass”, uma massa rica em minerais valiosos como lítio, níquel e cobalto, essenciais para a fabricação de novas células. Startups brasileiras já desenvolvem tecnologia local para aproveitar esse potencial, embora o mercado ainda seja incipiente.

Para os consumidores, o ciclo de vida do produto permanece uma incógnita. Muitos motoristas desconhecem os procedimentos de descarte, confiando apenas na evolução tecnológica futura para resolver o problema. “A falta de regulação clara e de fiscalização faz com que a prática circular seja tratada como um custo opcional por aqui”, alerta Zanin.

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