Hospital admite erro em procedimento que não tratava o tumor da paciente.
Uma paciente de 76 anos, identificada como Jandira Marina Dias Braga, faleceu em um hospital de Campinas, São Paulo, três dias após ser submetida a uma gastrostomia endoscópica por engano. O procedimento, que não estava relacionado ao tratamento de seu câncer de cólon em recidiva, ocorreu no Hospital Beneficência Portuguesa, onde a idosa estava internada para tratar uma obstrução intestinal. O caso, divulgado em 23 de julho de 2026, gerou repercussão e levantou questionamentos sobre a segurança dos protocolos hospitalares.
Jandira Marina Dias Braga estava internada especificamente para lidar com uma obstrução intestinal, uma complicação decorrente do reaparecimento de seu câncer de cólon. A gastrostomia endoscópica, procedimento ao qual foi submetida indevidamente, não fazia parte do plano terapêutico para seu quadro oncológico. A família da paciente afirmou que, no momento do ocorrido, ainda não havia uma decisão médica definida sobre a conduta para o tratamento do câncer, e a internação visava apenas a melhora de seu estado de saúde geral.
A gastrostomia é definida como a criação de um orifício na parede do estômago para a inserção de uma sonda, utilizada para alimentação ou drenagem de líquidos. Segundo os oncologistas Stephen Stefani e Fernando Maluf, que explicaram o procedimento, a gastrostomia é geralmente indicada em casos de tumores abdominais que causam obstruções não passíveis de cirurgia, como o câncer de ovário, ou em pacientes com câncer de cabeça e pescoço que enfrentam dificuldades de deglutição devido a tratamentos como radioterapia ou quimioterapia. É também um recurso em situações paliativas, quando a alimentação oral se torna inviável. Os especialistas enfatizam que este é um procedimento de suporte, não um tratamento direto para o câncer.
O tratamento convencional para o câncer de intestino, conforme detalhado pelos oncologistas, envolve a remoção cirúrgica do tumor e do tecido adjacente, seguida de um estadiamento para avaliar a extensão da doença. Com base nesses resultados e no tipo de tumor, são definidos tratamentos complementares como quimioterapia ou imunoterapia. No caso de Jandira, a internação foi motivada por uma recidiva do câncer de cólon, que é o reaparecimento da doença após um tratamento considerado bem-sucedido, geralmente devido a micrometástases. Pacientes idosos, com doenças crônicas e em quadro de recidiva, como Jandira, apresentam maior fragilidade, com capacidade imunológica comprometida e funções vitais mais sensíveis, tornando qualquer intervenção cirúrgica uma decisão de alto risco que exige cuidadosa avaliação de benefício versus risco.
Diante do ocorrido, o Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas emitiu uma nota admitindo o erro. A instituição informou que instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos e que medidas administrativas foram tomadas contra os profissionais envolvidos, incluindo desligamentos. O hospital também comunicou que reforçou seus protocolos e fluxos de segurança assistencial, reafirmando seu compromisso com a qualidade e a segurança do paciente. Apesar de o hospital ter afirmado que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente, o incidente ressalta a importância da vigilância e da aderência rigorosa aos protocolos em ambientes de saúde, especialmente em casos de pacientes vulneráveis.








