Caneta emagrecedora (Foto: IA)

Caneta emagrecedora (Foto: IA)

Saúde

Anvisa aprova 12 novas canetas emagrecedoras para diabetes e obesidade; saiba valores

Especialistas analisam fim da patente, que traz novas opções de tratamento ao mercado

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) movimentou o mercado farmacêutico brasileiro neste ano ao ampliar o leque de tratamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade. Com a queda da patente do Ozempic (semaglutida da Novo Nordisk) em março, o país registrou 12 novas opções de canetas emagrecedoras em 2026: dez à base de semaglutida e duas de liraglutida.

Em entrevista exclusiva ao Feed TV, a nutricionista especializada em emagrecimento Mariane Alves alerta que as aprovações não são passe livre para quem busca atalhos estéticos. “Não é um medicamento que deve ser escolhido apenas pelo desejo de perder alguns quilos ou pela indicação de alguém que teve um bom resultado. A prescrição precisa ser individualizada e partir de uma avaliação médica completa”, crava a especialista.

O nutrólogo Dr. Felipe Kezam (CRM-SP 129066) endossa o alerta para o público-alvo correto. Ele explica que a medicação atende a um nicho muito específico: “Em geral, essas medicações podem ser indicadas para pessoas com obesidade, ou sobrepeso associado a doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono ou alterações metabólicas”.

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Semaglutida em alta e a balança enganosa

A semaglutida domina a nova leva. A substância, que imita o hormônio GLP-1 para controlar a glicemia e a saciedade, abriu caminho para a aprovação de marcas como o Ozivy (da EMS), além de nomes como Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e opções de genéricos. O bolso do consumidor sente a diferença: enquanto o medicamento de referência beira a casa dos R$ 1.000, os novos genéricos prometem chegar às prateleiras na faixa de R$ 300, dependendo da regulação final de preços.

No entanto, o custo para a saúde pode ser alto se não houver um acompanhamento de perto. Mariane Alves ressalta uma das maiores ciladas do tratamento farmacológico: a desnutrição disfarçada de sucesso na balança. “A redução da fome faz com que a pessoa simplesmente deixe de conseguir atingir suas necessidades nutricionais. O paciente pode estar emagrecendo na balança, mas precisamos olhar o que está sendo perdido. O objetivo não deve ser simplesmente perder peso, é buscar uma redução de gordura com preservação de massa muscular”, pontua a nutricionista.

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Efeitos colaterais são uma realidade pesada no processo. O Dr. Felipe Kezam aponta que náusea, constipação, sensação de estômago cheio e refluxo costumam bater forte “no início ou durante o aumento das doses”. A Anvisa, inclusive, soou o alarme em 2026 para o sério risco de pancreatite aguda ligada ao uso indevido dessas substâncias sem critério médico.

Liraglutida x Semaglutida: entenda as diferenças

A agência sanitária também aprovou neste ano dois novos genéricos de liraglutida (produzidos pela EMS). Mas qual é a real diferença na rotina de quem usa?

“A liraglutida é aplicada diariamente e a semaglutida, em geral, uma vez por semana, o que torna a semaglutida mais prática. Os estudos também mostram, em média, maior perda de peso com semaglutida”, detalha Kezam, ponderando que a escolha final vai depender do perfil de tolerância e do bolso do paciente.

Apesar da eficácia atestada pela Anvisa na liberação desses lotes, nem toda caneta serve para o mesmo propósito. Muitas das novidades sintéticas registradas recentemente têm como foco exclusivo o diabetes tipo 2, e não a obesidade em si.

“Ter o mesmo princípio ativo não significa que devemos considerar automaticamente todos os produtos disponíveis no mercado como iguais”, adverte Mariane. “Mais importante do que pensar apenas na ‘marca’ é verificar se estamos falando de um medicamento regularmente registrado, sua procedência e se ele está sendo utilizado dentro das condições autorizadas”.

Enquanto isso, substâncias patenteadas e de altíssimo custo, como a tirzepatida (Mounjaro) e a dulaglutida (Trulicity), da Eli Lilly, seguem ditando regras sem concorrentes similares, apostando na potência da ação dupla sobre os hormônios. Independentemente da caneta escolhida, o consenso dos especialistas ouvidos pelo Feed TV é nítido: o medicamento pode desligar o botão da fome, mas a mudança de vida precisa continuar existindo muito além da picada semanal.

Por: Felipe Reis – @ofelipereis

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