A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou uma vacina candidata como a “mais promissora” contra o vírus Ebola, especificamente a cepa Bundibugyo, que tem causado uma epidemia na República Democrática do Congo (RDC). O desenvolvimento para testes em humanos será conduzido em Singapura pelo laboratório Hilleman Laboratories, conforme anunciado nesta quinta-feira (30).
A epidemia na RDC já resultou em mais de 1,3 mil mortes, destacando a urgência de uma solução eficaz. O vírus Bundibugyo, uma cepa antes considerada rara, não possui vacina aprovada ou tratamento específico, o que tem levado especialistas e organizações de saúde a unir esforços para acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de imunizantes.
A vacina, denominada “rVSV Bundibugyo”, é uma candidata de dose única e utiliza a mesma plataforma tecnológica da vacina Ervebo, já aprovada para combater a cepa Zaire do Ebola, que é mais prevalente. A Hilleman Laboratories, uma joint venture entre a gigante farmacêutica americana MSD e a instituição de caridade britânica Wellcome Trust, será responsável por avançar os testes clínicos em humanos.
A MSD, que desenvolveu e produziu a vacina Ervebo, atuará como consultora técnica, compartilhando sua vasta experiência com a plataforma rVSV. A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) comprometeu-se a financiar o desenvolvimento. Um dos grandes avanços esperados é que, ao contrário da vacina Ervebo, que requer armazenamento em temperaturas extremamente baixas, a nova candidata possa ser conservada em refrigeradores comuns por vários meses, o que facilitaria a distribuição e reduziria custos em regiões afetadas.
Se os ensaios iniciais forem bem-sucedidos e a vacina for autorizada, a Hilleman Laboratories e a CEPI visam garantir um fornecimento rápido e acessível de doses para os países impactados pela epidemia e para nações de baixa e média renda. Em maio, a OMS havia estimado que o início dos testes em humanos levaria de sete a nove meses, mas o anúncio da Hilleman Laboratories acelera esse cronograma. Paralelamente, na semana passada, uma outra vacina contra o vírus Bundibugyo, desenvolvida pela Universidade de Oxford e utilizando tecnologia similar à da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, já administrou a primeira dose em um voluntário, demonstrando o esforço global contínuo no combate ao Ebola.








