Produtividade (Foto: Freepik)

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Saúde

O segredo da NASA para aumentar sua produtividade em 34%

Estudos mostram que priorizar o sono melhora decisões, saúde e resultados no trabalho

No mundo corporativo, a privação de sono já foi usada como uma medalha de honra. Frases que glorificam dormir pouco em nome do trabalho duro criaram uma cultura onde o descanso é visto como fraqueza. Contudo, essa mentalidade está cobrando um preço alto. Por trás da fachada de resistência, muitos profissionais enfrentam esgotamento silencioso, o que compromete não apenas a saúde individual, mas a rentabilidade das empresas.

A ciência moderna desmente a ideia de que o sacrifício do sono resulta em maior entrega. Pelo contrário, o descanso adequado não é o oposto de trabalho, mas o alicerce para que ele seja bem feito.

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O custo da exaustão

Ignorar o relógio biológico gera prejuízos mensuráveis. Dados da Universidade de Cornell apontam que desenvolvedores de software privados de sono produzem 50% menos códigos funcionais e cometem o dobro de erros. Além disso, perder apenas uma hora de descanso por noite ao longo de uma semana pode reduzir o desempenho geral em quase 10%.

A regulação emocional também sofre. Um relatório do Primary Care Collaborative indica que uma única noite mal dormida pode tornar a amígdala — centro emocional do cérebro — 60% mais reativa, prejudicando a capacidade de liderança e a tomada de decisões equilibradas.

A ciência como aliada

Para combater esse cenário, especialistas defendem uma mudança cultural que vai além de instalar áreas de descanso nos escritórios. Lindsay Scola, especialista em produtividade, compara a necessidade de dormir à respiração: “Ninguém diria: ‘Tenho um grande projeto chegando, então vou parar de respirar nas próximas duas semanas'”. Segundo ela, a lógica de prender o fôlego até a exaustão é insustentável.

A NASA oferece um exemplo prático de como pequenas pausas podem ser poderosas. A agência espacial descobriu que um cochilo de apenas 26 minutos após o almoço pode aumentar a performance em 34% e o nível de atenção em 54%.

Estratégias para líderes

Para reverter o ciclo de burnout, é preciso normalizar o descanso. Isso envolve:

  1. Liderar pelo exemplo: Gestores devem falar abertamente sobre a importância de recarregar as energias e evitar julgamentos sobre quem prioriza o bem-estar.
  2. Pausas estratégicas: Intervalos deliberados de 10 a 20 minutos ajudam a “resetar” o cérebro, mantendo a eficácia ao longo do dia.
  3. Respeito à biologia: Ajustar horários de reuniões para acomodar diferentes cronotipos (ritmos biológicos individuais) resulta em discussões mais engajadas e decisões mais rápidas.

Como ressalta Scola, “o sono não é uma recompensa por concluir o trabalho — é o combustível que torna o trabalho excepcional possível”. Reconhecer o descanso como um ativo estratégico é o primeiro passo para uma liderança mais humana e eficiente.

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