Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Lipedema: doença crônica ainda é confundida com obesidade e celulite

Patologia comum afeta mulheres e causa sofrimento por falta de diagnóstico

O lipedema, uma doença crônica do tecido adiposo, tem sido frequentemente confundido com obesidade ou celulite, resultando em um diagnóstico tardio e prolongamento do sofrimento para as pacientes. Caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e braços, a patologia, apesar de sua prevalência, ainda é pouco reconhecida e diagnosticada adequadamente no meio médico.

A condição afeta principalmente mulheres, com uma estimativa de que cerca de 12% delas possam desenvolver a doença. Sua origem está ligada a fatores genéticos e hormonais, manifestando-se como um padrão desigual de distribuição de gordura. A parte superior do corpo pode permanecer relativamente fina, enquanto pernas e quadris apresentam um aumento de volume que se mostra resistente a dietas e exercícios físicos convencionais.

Além do impacto estético, o lipedema provoca uma série de sintomas físicos debilitantes, incluindo dor, sensação de peso, inchaço, cansaço e sensibilidade ao toque. Hematomas espontâneos também são comuns. A cirurgiã vascular Nathassia Domingues explica que se trata de uma “gordura doente, inflamatória”, e muitas mulheres descrevem a desproporção como a sensação de serem “uma pessoa da cintura para cima e outra da cintura para baixo”, o que evidencia a complexidade da condição e a dificuldade de aceitação e compreensão.

Fases da vida da mulher marcadas por oscilações hormonais, como a puberdade, a gravidez e a menopausa, são potenciais gatilhos para o agravamento dos sintomas do lipedema. O diagnóstico é essencialmente clínico, dependendo da avaliação de um profissional com experiência na doença, visto que o desconhecimento ainda é grande, inclusive entre médicos. Embora existam exames que auxiliam, eles servem mais para direcionar e complementar diagnósticos diferenciais do que para fechar o diagnóstico de lipedema.

O tratamento do lipedema foca na melhoria da qualidade de vida e no controle da doença, uma vez que não há cura. Abordagens conservadoras incluem uma alimentação equilibrada, com restrição de alimentos inflamatórios como glúten, açúcar, álcool e ultraprocessados, além da prática de exercícios físicos de baixo impacto, como hidroginástica, natação e caminhada na água. A fisioterapia, com técnicas de drenagem linfática e o uso de meias ou leggins de compressão, também contribui para aliviar o desconforto e a dor. A doutora Nathassia Domingues alerta contra tratamentos milagrosos sem comprovação científica, reiterando que o diagnóstico e o tratamento adequado são “libertadores” para as pacientes.

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