Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Especialistas apontam primeiro passo para controlar tempo de tela

Relatório revela que 36% do uso de celulares não tem propósito claro.

Um novo relatório divulgado em 22 de junho de 2026 aponta que uma parcela significativa do tempo dedicado aos smartphones carece de um propósito claro. Especialistas destacam que reconhecer esses hábitos é o primeiro passo crucial para gerenciar o uso da tecnologia, que se mostra cada vez mais imersiva e desafiadora para o controle individual.

A pesquisa, encomendada pela operadora Virgin Media O2, revela que adultos no Reino Unido dedicam, em média, quatro horas diárias aos seus celulares, sendo que 36% desse período é gasto de forma não intencional. No Brasil, o cenário é ainda mais intenso, com o uso médio de dispositivos conectados à internet atingindo 53 horas e 30 minutos por semana, conforme dados de 2026 da consultoria DataReportal em parceria com a GWI. Para a pesquisadora sênior Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, a questão transcende escolhas imprudentes, sendo intrínseca à natureza imersiva da tecnologia.

O estudo também indica que, apesar da crescente conscientização sobre os efeitos negativos do uso excessivo e habitual de dispositivos, muitas pessoas enfrentam dificuldades para encontrar motivação e gerenciar com sucesso o tempo online. Enquanto parte do uso do smartphone é intencional, como o envio de mensagens ou a consulta de mapas, os participantes da pesquisa admitiram passar tempo rolando a tela sem propósito ou alternando entre aplicativos de forma automática. Aqueles que relataram maior tempo de uso sem um motivo claro também apresentaram maior probabilidade de experiências negativas, como sentir-se pior após o uso ou deparar-se com conteúdos prejudiciais.

O relatório, intitulado _Age of Autopilot_ (A Era do Piloto Automático), compilou dados de três pesquisas realizadas entre 2024 e 2026, sendo a mais recente com cerca de 6 mil pessoas com 16 anos ou mais. Contudo, especialistas como Pete Etchells, professor de psicologia da Universidade Bath Spa, alertam que estatísticas autodeclaradas sobre o uso de celulares podem não capturar o quadro completo, pois as pessoas tendem a superestimar o tempo gasto. Ainda assim, Etchells considera o relatório útil por sugerir uma crescente conscientização dos usuários sobre seus próprios hábitos, ressaltando que perceber o uso não intencional é um passo importante. Netta Weinstein, da Universidade de Reading, complementa que, embora rolar a tela possa oferecer relaxamento ou distração, é fundamental questionar se a experiência realmente renova ou se deixa o usuário em um estado pior.

Diante desse cenário, os especialistas sugerem que o design dos smartphones também deve ser considerado. Pete Etchells defende que as empresas de tecnologia deveriam ser mais pressionadas em relação às notificações, que geralmente vêm ativadas por padrão, sem considerar o bem-estar do usuário. Rafe Clayton, professor da Universidade de Leeds, recomenda desativar notificações de aplicativos não essenciais e dedicar mais tempo a atividades desconectadas do mundo digital. Eleanor Drage, em entrevista à BBC, enfatizou que o objetivo não é ditar como as pessoas devem usar seus aparelhos, mas sim ajudar aqueles que desejam se sentir mais no controle, buscando um uso “gerenciável”. Drage e outros pesquisadores do Centro Leverhulme para o Futuro da Inteligência, da Universidade de Cambridge, investigarão os impactos da inteligência artificial generativa em uma iniciativa de pesquisa de cinco anos financiada pela Virgin Media O2.

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