Estudo aponta desafios para fabricantes e ascensão de novos mercados
A pesquisa da empresa de mercado IWSR projeta que o consumo global de álcool continuará em declínio até 2035. A expectativa é que, mesmo com o crescimento populacional e o aumento da demanda em países como a Índia, os volumes globais de consumo permaneçam abaixo dos níveis atuais. Este cenário desafia a indústria de bebidas, que já observa uma queda nas vendas desde 2023, impactando grandes fabricantes em todo o mundo.
Após um período de crescimento pós-pandêmico, o setor de bebidas alcoólicas tem enfrentado uma série de desafios que contribuem para a retração do consumo. O aumento do custo de vida globalmente, a mudança nos hábitos dos consumidores, as crescentes preocupações com a saúde e o surgimento de medicamentos para perda de peso são fatores cruciais que têm influenciado significativamente a demanda. Empresas como a Diageo, responsável pelo uísque Johnnie Walker, e a Anheuser-Busch InBev, proprietária das marcas de cerveja Corona e Stella Artois, já sentem os efeitos, com vendas em queda e avaliações de mercado diminuindo.
A primeira previsão de 10 anos da IWSR, que abrange 160 mercados, indica que os volumes globais de consumo de álcool não devem parar de cair antes de 2031. Mesmo em 2035, os volumes estarão 1% abaixo dos registrados no ano passado, apesar de um aumento projetado de 9% no número global de consumidores em idade legal para beber. A pesquisa detalha que as pessoas estarão bebendo menos, com o consumo anual global per capita de álcool puro previsto para cair o equivalente a duas garrafas de destilados ou uma caixa de vinho por pessoa por ano até lá. Marten Lodewijks, presidente e diretor-geral do IWSR, enfatizou que a mudança nos gostos dos consumidores representa um grande desafio, exigindo que as empresas se adaptem em vez de “confiar nos sucessos do passado”.
A projeção da IWSR aponta que categorias tradicionais de bebidas, como destilados, cerveja e vinho, perderão volume até 2035. Em contrapartida, novos tipos de bebidas, como coquetéis em lata, devem ocupar um espaço crescente no mercado. Geograficamente, a demanda também passará por uma reconfiguração significativa. Os maiores mercados tradicionais, como China e Estados Unidos, devem registrar uma queda de mais de 18% no consumo de bebidas alcoólicas até 2035. Declínios acentuados também são esperados na Alemanha, no Japão e no Reino Unido.
Em contraste com a retração nos mercados estabelecidos, a Índia emerge como um ponto de crescimento crucial. Com um aumento projetado de 38% no consumo nos próximos 10 anos, o país deve substituir os Estados Unidos como o segundo maior mercado de bebidas alcoólicas do mundo, ficando atrás apenas da China, até 2032. Outros países que devem impulsionar a demanda global incluem o México, com um aumento de 13%, o Vietnã, com 15%, e a Colômbia, que projeta um crescimento de 26% no consumo de álcool. Este panorama ressalta a necessidade de uma reorientação estratégica por parte da indústria para atender às novas tendências e mercados emergentes.