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Anvisa aprova teplizumabe, primeiro medicamento para retardar diabetes tipo 1

Terapia inédita visa adiar sintomas em adultos e crianças a partir de 8 anos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o uso do teplizumabe, um medicamento inovador que representa um marco no tratamento do diabetes tipo 1. Comercializado sob o nome Tzield e desenvolvido pela Sanofi, este é o primeiro tratamento reconhecido por sua capacidade de alterar a evolução da doença. A terapia é destinada a adultos e crianças a partir de oito anos de idade que foram diagnosticados com diabetes tipo 1 no estágio 2, uma fase em que a condição ainda não manifesta sintomas clínicos, com o objetivo primordial de postergar o surgimento das manifestações da doença.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, crônica e progressiva, caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas pelo próprio sistema imunológico, células estas responsáveis pela produção de insulina. A ausência desse hormônio essencial compromete severamente o controle da glicose no organismo. Frequentemente, o diagnóstico ocorre tardiamente, muitas vezes após episódios de cetoacidose diabética, uma complicação grave que exige intervenção hospitalar imediata. Contudo, exames de sangue simples podem identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas, detectando autoanticorpos específicos e alterações nos níveis de glicose, o que permite uma intervenção precoce.

O teplizumabe atua protegendo as células beta do pâncreas, essenciais para a produção de insulina. Ao preservar essas células, o medicamento pode adiar significativamente a progressão para a forma clínica da doença, momento em que os sintomas se tornam evidentes e a administração diária de insulina se torna indispensável. O tratamento é realizado por meio de infusão intravenosa diária, administrada durante duas semanas consecutivas, oferecendo uma abordagem inovadora que visa modificar a história natural da doença.

A aprovação da Anvisa foi fundamentada em resultados de um estudo clínico que demonstrou que o tratamento com teplizumabe conseguiu adiar, em média, por dois anos o avanço para o diabetes tipo 1 clínico, em comparação com o grupo placebo. A pesquisa também indicou uma redução de 59% no risco de os pacientes passarem a necessitar de insulina. Segundo Melanie Rodacki, endocrinologista e professora de Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em comunicado, “Com a possibilidade de atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 clínico, podemos oferecer às famílias um tempo para preparação, educação e adaptação à essa condição. Isso permite evitar quadros graves e traumáticos ao diagnóstico, o que pode ter um importante impacto na saúde mental e no estresse emocional das famílias.”

A vida com diabetes tipo 1 impõe desafios diários, com mais de 40 variáveis influenciando os níveis de glicose e exigindo cerca de 180 decisões por dia, conscientes ou não, relacionadas ao manejo da doença. Essa rotina gera impactos físicos, práticos e emocionais significativos para pacientes e suas famílias. Embora o Tzield represente um avanço, seu uso exige atenção a advertências e cuidados específicos, incluindo medicação preventiva e acompanhamento de sintomas relacionados à síndrome de liberação de citocinas, risco de infecções graves e reações de hipersensibilidade. Entre os efeitos adversos mais frequentes observados estão a redução de determinados glóbulos brancos, aparecimento de erupções na pele e dor de cabeça. É recomendado que a vacinação esteja atualizada antes do início da terapia e que se evite a aplicação simultânea de vacinas vivas, inativadas ou de mRNA durante o tratamento.

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