Mercado de luxo (Foto: Pexels)

Mercado de luxo (Foto: Pexels)

Sustentabilidade e ESG

Mercado de relógios de luxo caminha para US$ 84 bilhões, mas nem toda peça garante valorização

Com crescimento projetado até 2031, setor atrai investidores; entenda os fatores que realmente sustentam o valor das peças no mercado global

O mercado global de relógios de luxo avança a passos largos e se consolida como uma das vertentes mais atraentes para investimentos alternativos. Segundo dados da consultoria Mordor Intelligence, o setor foi avaliado em US$ 84,77 bilhões em 2026 e tem projeção de alcançar a marca de US$ 114,19 bilhões até 2031, com uma taxa de crescimento anual de 6,14%. A expansão é impulsionada principalmente pela busca da Geração Z e dos millennials por peças colecionáveis, além da consolidação de programas de pre-owned certificados por grandes marcas.

No entanto, por trás desse volume bilionário, o mercado secundário expõe um contraste marcante: enquanto raridades valorizam continuamente, a maioria dos modelos perde valor assim que sai da boutique.

Quem compra um relógio de luxo nem sempre está apenas adquirindo um acessório. Em muitos casos, a peça passa a fazer parte do patrimônio do proprietário e pode preservar seu valor por muitos anos. Mas isso está longe de ser uma regra. Enquanto alguns modelos são disputados por colecionadores e chegam a valer mais do que custavam quando foram lançados, outros perdem parte significativa do preço pouco tempo depois da compra.

A diferença, explica Renan Bastos, especialista em relógios de luxo e fundador da RC Crown, está em fatores que vão muito além da marca estampada no mostrador. “Muita gente acredita que basta comprar um relógio caro para fazer um bom investimento, mas não funciona assim. Existem modelos que mantêm uma procura global constante por muitos anos e outros que, apesar do alto preço, têm baixa liquidez no mercado secundário.”

Renan Bastos (Foto: Instagram)
Renan Bastos (Foto: Instagram)

Modelos de fabricantes como Rolex, Patek Philippe e algumas referências da Audemars Piguet estão entre os exemplos mais conhecidos de peças que costumam preservar valor ao longo do tempo. A combinação entre produção controlada, demanda internacional e tradição da marca ajuda a explicar esse comportamento.

Mas nem mesmo dois relógios iguais valem necessariamente a mesma quantia. Estado de conservação, documentação, caixa original, histórico de revisões e até detalhes como a cor do mostrador podem fazer diferença na hora da negociação.

“Dois relógios do mesmo modelo podem ter diferenças de dezenas de milhares de dólares simplesmente porque um possui o chamado full set e o outro não. O mercado precifica cada detalhe”, explica Renan Bastos ao Feed TV.

Outro ponto que costuma gerar confusão é a diferença entre preço anunciado e valor real de mercado. Em plataformas especializadas, não é raro encontrar relógios listados por cifras elevadas que permanecem meses sem encontrar comprador. “Valor não é quanto alguém pede em um anúncio, mas quanto o mercado realmente aceita pagar. Existem peças anunciadas durante muito tempo sem serem vendidas. Liquidez é um dos fatores mais importantes para quem busca preservar patrimônio”, destaca Bastos.

Com negociações acontecendo diariamente em diferentes países, o mercado também reage a fatores como oferta, demanda, câmbio e comportamento dos compradores. Por isso, Renan Bastos afirma que acompanhar dados atualizados se tornou essencial para avaliar uma peça com precisão.

“Hoje, tomar decisões olhando apenas anúncios pode levar a avaliações equivocadas. O mercado muda rapidamente, e entender quanto um relógio realmente vale exige acompanhar transações reais e indicadores que refletem a dinâmica daquele modelo”, conclui Renan Bastos.

Por: Felipe Reis

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