O estudo, publicado na prestigiada revista Biodiversity and Conservation, focou no emblemático “Alerce Abuelo“, um gigante com mais de 2.400 anos de idade. A equipe internacional de cientistas identificou que essas árvores não são apenas indivíduos isolados, mas verdadeiras “ilhas de biodiversidade”.
Ao todo, foram catalogados 361 tipos únicos de fungos sob o Alerce Abuelo — um número 2,26 vezes maior do que a média encontrada no restante da floresta. Esse ecossistema invisível funciona como um “segundo genoma”, oferecendo suporte crítico para que esses monumentos naturais atravessem milênios.
A relação é de pura simbiose. Os fungos micorrízicos penetram as células das raízes para realizar uma troca direta: eles entregam fósforo, nutriente escasso no solo ácido da região, e recebem carbono em troca.
A pesquisa comprovou que, quanto maior o diâmetro e a biomassa do tronco, mais rica é a comunidade de microrganismos acumulada. “A perda de biodiversidade, especialmente de fungos do solo, pode afetar gravemente o funcionamento das florestas”, alertam os especialistas no estudo.
O risco da extinção silenciosa
Apesar da resiliência milenar, o alerce está listado como espécie ameaçada de extinção. Além da crise climática e dos incêndios, a destruição de habitats para obras de infraestrutura coloca em risco não apenas as árvores, mas todo o sistema de inteligência biológica que vive sob a terra.
A descoberta reforça que a conservação ambiental precisa olhar para baixo. Proteger essas árvores de grande porte é garantir a reserva de esporos necessária para a regeneração das florestas do futuro.








