Alerce Abuelo (Foto: Instagram)

Alerce Abuelo (Foto: Instagram)

Sustentabilidade e ESG

Estudo revela rede de fungos inédita sob raízes de árvores milenares no Chile

Metrópoles subterrâneas alimentam gigantes da natureza

O estudo, publicado na prestigiada revista Biodiversity and Conservation, focou no emblemático “Alerce Abuelo“, um gigante com mais de 2.400 anos de idade. A equipe internacional de cientistas identificou que essas árvores não são apenas indivíduos isolados, mas verdadeiras “ilhas de biodiversidade”.

Ao todo, foram catalogados 361 tipos únicos de fungos sob o Alerce Abuelo — um número 2,26 vezes maior do que a média encontrada no restante da floresta. Esse ecossistema invisível funciona como um “segundo genoma”, oferecendo suporte crítico para que esses monumentos naturais atravessem milênios.

A relação é de pura simbiose. Os fungos micorrízicos penetram as células das raízes para realizar uma troca direta: eles entregam fósforo, nutriente escasso no solo ácido da região, e recebem carbono em troca.

A pesquisa comprovou que, quanto maior o diâmetro e a biomassa do tronco, mais rica é a comunidade de microrganismos acumulada. “A perda de biodiversidade, especialmente de fungos do solo, pode afetar gravemente o funcionamento das florestas”, alertam os especialistas no estudo.

O risco da extinção silenciosa

Apesar da resiliência milenar, o alerce está listado como espécie ameaçada de extinção. Além da crise climática e dos incêndios, a destruição de habitats para obras de infraestrutura coloca em risco não apenas as árvores, mas todo o sistema de inteligência biológica que vive sob a terra.

A descoberta reforça que a conservação ambiental precisa olhar para baixo. Proteger essas árvores de grande porte é garantir a reserva de esporos necessária para a regeneração das florestas do futuro.

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