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Uso incorreto de ‘bombinhas’ compromete tratamento da asma e gera riscos à saúde

Campanha nacional busca orientar pacientes sobre técnica correta.

A maioria dos pacientes que utiliza dispositivos inalatórios para o tratamento da asma o faz de forma incorreta, o que pode anular o efeito da medicação e agravar a condição. Diante desse cenário preocupante, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) lançou a campanha “Respira + Brasil”, que teve início nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, em João Pessoa (PB) e Belém (PA), e se estenderá até 21 de junho com ações de orientação em todo o país.

A asma é um desafio de saúde pública global, afetando cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e associada a aproximadamente mil mortes diárias. No Brasil, a doença atinge cerca de 20 milhões de indivíduos, resultando em aproximadamente 350 mil internações e 2,5 mil óbitos anuais. Apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes, falhas na administração dos medicamentos comprometem significativamente o controle da doença, sendo o uso inadequado das chamadas “bombinhas” um dos principais problemas.

Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos conduzidos nos Estados Unidos, envolvendo adultos com asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), revelou que 87% dos pacientes utilizam os dispositivos inalatórios de maneira incorreta. Destes, 77% cometem erros em 20% ou mais das etapas de uso. Alarmantemente, apenas 15,5% dos profissionais de saúde dominam plenamente a técnica adequada. O estudo, publicado no Journal of the COPD Foundation, aponta que falhas recorrentes em etapas cruciais, como não acoplar o inalador ao espaçador quando necessário, não expirar completamente antes do uso, inspirar rápido demais, não segurar a respiração após a inalação ou não agitar o inalador, podem praticamente anular o efeito do remédio, mantendo as taxas de erro elevadas mesmo após décadas de uso desses dispositivos.

A campanha “Respira + Brasil” do CFF visa combater essa realidade, buscando ampliar o diagnóstico, melhorar o controle da doença e fornecer orientação detalhada sobre o uso correto dos medicamentos. Com o lema “Respirar é automático — até deixar de ser”, a iniciativa enfatiza a importância do diagnóstico precoce e da administração correta dos tratamentos para evitar emergências respiratórias. A população terá acesso a serviços gratuitos, incluindo atendimento clínico farmacêutico, avaliação da função respiratória, vacinação e orientações práticas sobre o uso de inaladores. Além disso, mais de 11 mil farmacêuticos estão sendo capacitados para participar ativamente das ações em todo o território nacional.

A utilização correta dos dispositivos inalatórios é um pilar fundamental para o sucesso terapêutico em pacientes com asma e/ou DPOC, conforme destacado pelo coordenador da Comissão de DPOC da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Fatores como a escolha inadequada do dispositivo, baixa coordenação motora, déficit cognitivo e a falta de orientação contínua contribuem para o uso incorreto, especialmente em idosos. Por isso, o treinamento prático e a reavaliação periódica da técnica inalatória devem ser incorporados à rotina clínica, garantindo que a asma, uma doença crônica caracterizada por inflamação das vias aéreas, seja controlada adequadamente, reduzindo crises, complicações e, consequentemente, as mortes evitáveis, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

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