Intestino irritado (Foto: Freepik)

Intestino irritado (Foto: Freepik)

Saúde

Teste do sopro identifica causas da síndrome do intestino irritável

Exame não invasivo detecta má absorção de carboidratos

Sabe aquele inchaço persistente, acompanhado de gases e dor abdominal, que parece não ter fim? Muitas vezes, o culpado é um processo de fermentação intestinal desregulado que passa despercebido em exames comuns, como sangue ou colonoscopia. A solução para o mistério pode ser mais simples do que se imagina: um teste respiratório.

O método analisa a presença de gases como hidrogênio, metano e sulfeto de hidrogênio no ar que o paciente expira. Esses elementos são produzidos durante a fermentação no intestino e ajudam a diagnosticar dois grandes vilões do bem-estar digestivo. O primeiro é a má absorção de carboidratos, como a frutose e a lactose. O segundo é o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, conhecido pela sigla SIBO.

De acordo com a gastroenterologista Karitas Matsunaga, esse desequilíbrio impacta severamente a rotina de quem sofre com o problema. “Esse desequilíbrio impacta diretamente a qualidade de vida do paciente e, muitas vezes, demora a ser identificado, porque os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com outras condições”, destaca a especialista.

Um estudo recente da BMC Gastroenterology revelou dados impressionantes: em pacientes com síndrome do intestino irritável, 38,2% tinham má absorção de frutose e quase metade (48,9%) apresentava dificuldades com frutanos. Para piorar, muitos sofrem com as duas condições ao mesmo tempo, criando um cenário invisível para os métodos de imagem convencionais.

Embora não substitua a colonoscopia, o teste do sopro é defendido pelo American Journal of Gastroenterology como uma ferramenta segura, barata e essencial para entender como o intestino está funcionando na prática.

Para a especialista Vera Lúcia Ângelo Andrade, o diagnóstico correto é o que separa o paciente de um ciclo infinito de dietas por conta própria e remédios que apenas mascaram o problema: “Quando a origem dos sintomas não é identificada, o paciente entra em um ciclo prolongado de consultas, dietas por conta própria e uso de medicações sintomáticas que não resolvem o problema. Um diagnóstico preciso encurta esse caminho e muda completamente a abordagem terapêutica.”

Uma vez identificada a causa, o tratamento segue com ajustes nutricionais específicos ou uso de antibióticos, permitindo que o paciente recupere sua qualidade de vida de forma objetiva.

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