Tratamento alivia sintomas e riscos são baixos para mulheres elegíveis.
Cerca de 17 milhões de brasileiras enfrentam o climatério, período de transição que precede a menopausa e é marcado pela diminuição da produção hormonal. Esta fase, que pode gerar sintomas impactantes na qualidade de vida, como ondas de calor e alterações de humor, frequentemente não é tratada adequadamente. A terapia de reposição hormonal (TRH) surge como uma solução eficaz, mas ainda cercada por receios e desinformação, conforme destacado pela ginecologista Maria Celeste Osório em entrevista, que ressalta a importância da indicação correta do tratamento.
O climatério representa um período extenso de transição entre as fases reprodutiva e não reprodutiva da mulher, abrangendo os anos anteriores e posteriores à menopausa. Diferentemente da menopausa, que marca a data da última menstruação, o climatério é um processo gradual de redução da atividade ovariana e da produção de estrogênio e progesterona. Essa diminuição hormonal é a principal causa das diversas mudanças e sintomas vivenciados pelas mulheres.
Os sintomas do climatério são variados e podem surgir anos antes da última menstruação, durante a transição menopausal. Além dos conhecidos fogachos e suores noturnos, mulheres podem experienciar alterações no ciclo menstrual, irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor, ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e sintomas urinários. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história da paciente e nos sintomas, uma vez que exames hormonais podem ter utilidade limitada devido à flutuação dos níveis hormonais. A ginecologista Maria Celeste Osório enfatiza que a terapia hormonal é mais eficaz quando iniciada na “janela de oportunidade”, que inclui a transição menopausal ou até dez anos após a menopausa, ou antes dos 60 anos.
Apesar de preocupações históricas, a ginecologista Maria Celeste Osório esclarece que o risco de câncer de mama associado à terapia hormonal é extremamente reduzido, estimado em 0,08%, comparável a fatores como consumo diário de álcool, obesidade ou sedentarismo. A indicação do tratamento é individualizada, considerando idade, intensidade dos sintomas e histórico de saúde. A TRH pode ser administrada por diversas vias, como comprimidos, adesivos, gel ou spray transdérmico, sendo as vias não orais preferíveis para mulheres com fatores de risco cardiovascular. Recentemente, a Anvisa aprovou o fezolinetant, um medicamento não hormonal (Veoza), que atua nos mecanismos cerebrais dos fogachos, oferecendo uma alternativa para pacientes que não podem usar hormônios, como as que tiveram câncer de mama.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento para o climatério é limitado ao estriol em creme vaginal, que atua apenas localmente para sintomas geniturinários, não abrangendo os sintomas sistêmicos como fogachos e alterações de humor. Há, portanto, uma carência de hormônios sistêmicos disponíveis na rede pública. Em contraste, fitoterápicos, apesar de populares, carecem de evidências científicas robustas para sua recomendação por sociedades médicas. A médica Maria Celeste Osório reitera que o climatério é uma fase natural da vida e que, embora a reposição hormonal seja um pilar importante, a qualidade de vida durante este período também depende de um conjunto de fatores, incluindo atividade física regular, alimentação equilibrada, saúde mental e relações sociais saudáveis.








