Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Suplementos para menopausa: a ciência por trás das promessas

Magnésio, creatina e colágeno: o que a ciência diz sobre seu uso.

A busca por alívio dos sintomas da perimenopausa e menopausa tem impulsionado a popularidade de diversos suplementos, amplamente divulgados em plataformas digitais. Produtos como magnésio, juba-de-leão, creatina e colágeno são frequentemente apresentados como soluções indispensáveis para questões como névoa mental, distúrbios do sono e desequilíbrio hormonal. Contudo, a eficácia e a base científica por trás dessas alegações são pontos cruciais que merecem análise aprofundada.

Durante a perimenopausa e a menopausa, a flutuação e a subsequente queda dos níveis de estrogênio no corpo feminino podem desencadear uma série de sintomas desafiadores. Entre eles, destacam-se ondas de calor, suores noturnos, problemas de sono, ansiedade, névoa mental, dores nas articulações e alterações na massa muscular e na composição corporal. Embora a terapia de reposição hormonal (TRH) seja reconhecida como o tratamento mais eficaz para muitos desses sintomas, nem todas as mulheres podem ou desejam utilizá-la, o que direciona a atenção para tratamentos alternativos.

O magnésio, por exemplo, é um mineral vital que participa de mais de 300 processos metabólicos, incluindo relaxamento muscular e regulação da pressão arterial. Pesquisas indicam que ele pode melhorar a qualidade do sono e reduzir a ansiedade em adultos, embora nem todos os estudos tenham focado especificamente em mulheres na menopausa. Além disso, o magnésio contribui para a densidade óssea, um fator importante dado o risco aumentado de osteoporose na menopausa. No entanto, não foram demonstrados benefícios para ondas de calor ou alterações cognitivas. Já o cogumelo juba-de-leão, promovido para a névoa mental, mostrou resultados promissores em estudos com animais, estimulando o crescimento de células cerebrais e apoiando a memória. Contudo, os poucos estudos em humanos apresentaram resultados contraditórios e nenhum deles incluiu mulheres na menopausa.

A creatina, embora tradicionalmente estudada em homens, tem revelado potenciais benefícios para mulheres na perimenopausa e menopausa. Um estudo de 14 semanas observou que a suplementação de creatina aumentou significativamente a força da parte inferior do corpo e melhorou a qualidade do sono em mulheres na perimenopausa, o que é relevante diante do risco de sarcopenia. Para mulheres pós-menopáusicas, as evidências são mais contraditórias, com pequenos benefícios de curto prazo. O colágeno, por sua vez, é a proteína mais abundante do corpo, essencial para a estrutura de ossos, cartilagens e pele. Com o envelhecimento, sua produção diminui. Um estudo de um ano em mulheres pós-menopáusicas indicou que a suplementação diária de colágeno pode levar a aumentos modestos na densidade mineral óssea e aliviar o desconforto articular, embora mais pesquisas sejam necessárias especificamente em mulheres na menopausa.

Diante das evidências atuais, o magnésio e a creatina parecem ser os suplementos com maior respaldo científico para auxiliar em alguns sintomas da menopausa, conforme apontado por Dipa Kamdar, professor sênior em Prática Farmacêutica na Kingston University. No entanto, é crucial ressaltar que mais pesquisas são necessárias para confirmar plenamente esses benefícios e entender suas nuances. A qualidade e o custo dos suplementos também variam consideravelmente. Em última análise, um estilo de vida saudável, que inclui exercícios regulares (especialmente treinamento de força), bons hábitos de sono, alimentação equilibrada, moderação no consumo de álcool e manejo do estresse, permanece como a abordagem mais eficaz e baseada em evidências para promover o bem-estar durante a perimenopausa e a menopausa, além de melhorar a saúde cardiovascular e óssea a longo prazo.

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