Quem busca emagrecer ou melhorar a performance física costuma, em um primeiro momento, eliminar o açúcar da alimentação, transformando o doce no principal vilão da dieta. No entanto, na prática, poucas pessoas conseguem manter essa restrição por longos períodos. Diante disso, surge a dúvida: é possível consumir doces sem comprometer os resultados? Especialistas afirmam que sim, desde que o consumo seja feito com critério, dentro de um contexto adequado e com equilíbrio.
Brasileiros consomem doces regularmente
A ingestão de doces faz parte da rotina alimentar da maioria dos brasileiros. Dados do projeto ConVid indicam que cerca de 63% da população consome esse tipo de alimento duas vezes ou mais por semana.
A pesquisa, conduzida pela Fiocruz em parceria com a UFMG e a Unicamp, ouviu mais de 44 mil pessoas em todas as regiões do país. Os resultados apontam que o consumo tende a aumentar em períodos de estresse emocional e mudanças na rotina. Ansiedade, cansaço mental e maior permanência em casa estão entre os fatores que influenciam escolhas alimentares mais calóricas.
Em muitos casos, o doce surge como uma forma de conforto emocional, o que ajuda a explicar o crescimento do consumo em determinados momentos. Especialistas ressaltam que o problema não está no consumo ocasional, mas na frequência elevada e no padrão alimentar associado ao hábito. Quando o doce passa a substituir refeições, os impactos negativos à saúde se tornam mais evidentes.
O doce precisa ser excluído?
Especialistas indicam que aprender a consumi-lo de forma consciente costuma trazer resultados mais consistentes do que adotar restrições radicais, geralmente difíceis de sustentar. Estratégias baseadas em equilíbrio tendem a ser mais eficazes a longo prazo.
Segundo Serena del Favero, nutricionista do check-up esportivo do Espaço Einstein, o doce pode ser incluído pontualmente, em pequenas quantidades, dentro de uma rotina alimentar equilibrada. Para pessoas fisicamente ativas, sem doenças associadas e que não buscam mudanças drásticas na composição corporal, o consumo moderado não costuma gerar prejuízos relevantes.
Qual o impacto do consumo de doce no desempenho?
O principal impacto do consumo de doces não está apenas no açúcar em si, mas no excesso de calorias e no contexto em que ele é ingerido. Quando consumido com frequência e fora de momentos estratégicos, o doce pode dificultar o controle do peso e prejudicar a recuperação muscular. Por outro lado, em situações específicas, o açúcar pode funcionar como uma fonte rápida de energia, especialmente para quem pratica atividades físicas intensas.
O melhor e o pior horário para ingerir doces
O horário de consumo faz diferença e costuma ser ignorado. Especialistas alertam que o período noturno é o menos indicado para ingerir doces, já que o gasto energético diminui e o organismo entra em ritmo de repouso. Nessa fase, o consumo favorece o acúmulo de gordura e pode interferir na qualidade do sono. Durante o dia, especialmente próximo ao treino, o impacto tende a ser menor.
De forma geral, o consumo pela manhã ou no pré-treino costuma ter menor impacto. No pós-treino, pode ser incluído em situações específicas. À noite, no entanto, o ideal é evitar excessos.
É liberado doce antes do treino?
Antes da atividade física, a recomendação é evitar doces ricos em gordura, como bolos recheados e sobremesas cremosas, que dificultam a digestão e podem causar desconforto gastrointestinal. Quando o objetivo é obter energia rápida, pequenas porções de açúcar simples e com baixo teor de gordura podem ser consideradas, sempre de forma individualizada.
Quando o doce vira o ponto fraco da dieta
A dificuldade em controlar o consumo de doces pode indicar desequilíbrios nutricionais ou emocionais. Especialistas ressaltam a importância de identificar a origem dessa vontade frequente e ajustar a alimentação. Refeições pobres em proteínas, fibras ou calorias suficientes tendem a aumentar o desejo por açúcar ao longo do dia.
Alimentação equilibrada reduz a vontade por doce
Dietas mais equilibradas, com boas fontes de proteína, legumes, verduras e carboidratos complexos, ajudam a manter a saciedade e reduzem a compulsão por doces. Quando a vontade persiste, a orientação não é a exclusão total, mas a substituição consciente.
Existe doce melhor do que outro?
Algumas escolhas fazem diferença. Chocolates ao leite e brancos concentram mais açúcar e gordura, enquanto versões com maior teor de cacau apresentam perfil nutricional mais favorável. Especialistas recomendam chocolates com 50% a 80% de cacau, que possuem menos açúcar e mais antioxidantes, associados à saúde vascular.
Doces “fitness” são eficientes?
Produtos rotulados como “fitness” podem auxiliar, mas exigem atenção. Muitos apresentam redução de açúcar, porém compensam com gorduras, adoçantes ou alto valor calórico. A leitura do rótulo continua sendo essencial. Entre as opções caseiras mais equilibradas estão chocolate amargo em pequenas quantidades, frutas com cacau ou canela, iogurte natural com frutas e geleias sem açúcar adicionado.
Quantidade importa mais do que a opção
Mesmo opções consideradas mais saudáveis podem comprometer os resultados se consumidas em excesso. O erro mais comum é transformar o doce em um hábito diário automático. O ideal é que o consumo seja pontual, planejado e consciente.
Comer doce acompanhado de culpa costuma gerar um ciclo prejudicial, que envolve exageros seguidos de restrições extremas ou compensações inadequadas. Uma relação mais equilibrada com a alimentação tende a trazer resultados mais consistentes ao longo do tempo.
Como encaixar o doce na dieta sem prejuízos
Entre as estratégias recomendadas estão planejar o consumo, evitar o período noturno, optar por versões com menos açúcar, manter uma alimentação equilibrada e observar a frequência do consumo. O doce não deve ser usado como válvula de escape diária.
Equilíbrio é melhor que o radicalismo
O doce não precisa ser tratado como inimigo da dieta. O problema está no excesso, no consumo automático e na falta de planejamento. Para quem busca saúde, desempenho e bons resultados, o equilíbrio continua sendo o caminho mais eficaz, já que a consistência costuma funcionar melhor do que a proibição total.








