Foto: Pexels

Foto: Pexels

Saúde

Psicóloga alerta para sinais sutis que antecedem o feminicídio

Especialista revela como notar dinâmicas tóxicas no relacionamento

Uma relação que se torna tóxica dificilmente começa com atitudes extremas. Na maioria das vezes, os limites são ultrapassados de forma bastante sutil, disfarçados de superproteção, manifestando-se por meio de ciúme excessivo, controle e isolamento do círculo social. Identificar esses comportamentos ainda no começo é essencial para mudar os rumos da convivência, como alerta a psicóloga Josy Severo (CRP 06/113300).

A realidade brasileira reflete a importância de estar atenta aos sinais. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o país contabilizou 1.492 casos extremos com desfechos trágicos envolvendo mulheres em 2024. Isso significa que, em média, quatro vidas são perdidas diariamente por questões de gênero. Além disso, as perseguições e quebras de medidas de distanciamento seguem exigindo atenção constante.

Para Josy Severo, entender como uma dinâmica não saudável se estrutura no dia a dia é o primeiro passo para a mudança. “A violência costuma se instalar de forma gradual, por meio do controle excessivo, das ameaças, da manipulação emocional, do isolamento da vítima e da dependência financeira. Quando a agressão física acontece, normalmente existe uma longa história de sofrimento anterior”, detalha.

Subestimar atitudes controladoras apenas fortalece o parceiro e aprisiona a mulher emocionalmente. Por isso, a rede de apoio precisa agir de maneira compreensiva e focada no bem-estar da pessoa afetada, sem incentivar retornos precipitados a um ambiente instável. “O primeiro compromisso deve ser sempre com a preservação da vida e da integridade da vítima”, afirma a especialista.

Josy Severo (Foto: Acervo pessoal)
Josy Severo (Foto: Acervo pessoal)

Com uma trajetória na área da saúde — incluindo passagens pelo Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes e pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo —, a profissional acompanha de perto os impactos emocionais desse cenário. “Em muitos casos, mulheres chegam ao consultório com ansiedade, depressão, medo ou exaustão emocional. A prática clínica mostra que o silêncio também adoece”, aponta.

Na hora de oferecer ajuda, o cuidado com as palavras é decisivo. Frases que responsabilizam a mulher ou sugerem a manutenção de um convívio difícil são muito prejudiciais. “Nunca se deve culpabilizar a vítima ou minimizar o que ela está vivendo.”, enfatiza a psicóloga. O caminho correto é direcionar a mulher aos canais de apoio e à Defensoria Pública, amparando-se sempre nas leis vigentes.

O debate também deve envolver diversos setores da sociedade para criar um ambiente de amparo. Recentemente, a psicóloga teve um artigo científico aprovado no qual analisa o papel das igrejas como instituições de apoio às mulheres, destacando o dever de acolher e encaminhar corretamente os casos. Para a especialista, a mudança de cenário só acontece com a integração entre a saúde, assistência social e a Justiça.

Josefa Vieira de Oliveira Severo, conhecida profissionalmente como Josy Severo, é psicóloga clínica (CRP 06/113300). Possui graduação em Psicologia pela UNIAnhanguera Educacional – Campus ABC, pós-graduação em Saúde Mental, formação em Terapia Cognitivo-Comportamental em andamento e capacitação para avaliação psicológica em procedimentos cirúrgicos. Sua trajetória reúne experiências em hospitais psiquiátricos, clínicas terapêuticas, instituições de reabilitação e atendimento clínico, com atuação voltada à saúde mental e ao acolhimento de mulheres em situação de violência.

Por: Felipe Reis

plugins premium WordPress