Estudo aponta que 90 minutos a duas horas de treino de força impactam longevidade.
Uma nova pesquisa sugere que a prática regular de musculação pode reduzir significativamente o risco de morte precoce. De acordo com os dados reunidos a partir de estudos de longa duração, dedicar entre 90 minutos e duas horas semanais ao treino de força pode impactar positivamente a longevidade, diminuindo a probabilidade de óbitos por diversas causas.
Enquanto os benefícios do exercício aeróbico, como corrida, ciclismo ou natação, são amplamente reconhecidos pelo sistema britânico de saúde (NHS) por reduzir riscos de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de combater o estresse e aumentar a autoestima, o papel específico da musculação na redução da mortalidade tem sido menos explorado. Contudo, essa lacuna de conhecimento está começando a ser preenchida por novas evidências científicas.
Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos abrangendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. A análise revelou que indivíduos que praticavam musculação consistentemente por 90 minutos a duas horas por semana apresentaram uma redução de 13% no risco de morte prematura por qualquer causa. Os benefícios se estenderam a condições específicas, com uma diminuição de 19% no risco de morte por doença cardiovascular, como ataque cardíaco ou derrame.
A pesquisa também destacou uma redução ainda mais expressiva, de 27%, no risco de morte causada por doenças neurológicas, como a demência. Os resultados indicaram que os menores riscos de mortalidade foram observados entre aqueles que combinavam níveis elevados de exercício aeróbico e treino de força. Para essas pessoas mais ativas, que realizavam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa chegou a cair em até 58%. No entanto, o estudo apontou que a prática de mais de duas horas de treino de força por semana não trouxe benefícios adicionais significativos.
A importância do treino de força é corroborada por experiências individuais e profissionais. Kate Hogarth, de 28 anos, que treina com pesos, enfatiza os benefícios de longo prazo para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental, visando manter a independência na velhice. Da mesma forma, Bev Wilson, personal trainer da cidade inglesa de Harrogate, observa em seus clientes melhorias significativas em dores nas articulações, níveis de energia, controle do açúcar no sangue e fortalecimento ósseo. Ela também destaca benefícios na saúde cerebral, como melhorias na função cognitiva, concentração e memória, reforçando a visão de especialistas de que o treino de força pode prevenir ou adiar problemas de saúde, aliviando a pressão sobre os serviços de saúde.