Quem vai passar por cirurgia de catarata precisa tomar uma decisão importante: qual lente intraocular colocar no lugar do cristalino. As lentes multifocais podem reduzir a necessidade de óculos, mas nem sempre são a melhor opção. Segundo o oftalmologista Rubens Belfort Neto, a escolha deve ser personalizada.
A catarata está ligada ao envelhecimento e provoca a perda de transparência do cristalino, a lente natural do olho. Quando a cirurgia é indicada, o cristalino opaco é retirado e substituído por uma lente artificial. Além de devolver a transparência ao sistema óptico, o procedimento pode corrigir graus de miopia ou hipermetropia.
“A cirurgia de catarata dura em torno de 30 minutos e é uma das cirurgias com maior sucesso na medicina”, afirma o médico, que tem doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Monofocal ou multifocal?
A dúvida mais comum entre os pacientes é qual lente escolher. Cada modelo tem características próprias, e a indicação deve ser individualizada.
A lente monofocal oferece boa visão em uma distância específica, mas pode não garantir nitidez de perto. Uma alternativa é a monovisão, técnica em que um olho recebe grau para longe e o outro, para perto.
As multifocais foram desenvolvidas para proporcionar boa visão tanto de longe quanto de perto, o que amplia a independência dos óculos. Segundo o especialista, porém, há limitações.
“Hoje temos lentes intraoculares excelentes, capazes de proporcionar uma ótima qualidade de visão após a cirurgia de catarata. Mas cada tipo de lente tem suas vantagens e limitações. Algumas oferecem maior independência dos óculos, mas podem causar efeitos indesejados, como halos ao redor das luzes ou redução do contraste”, destaca o especialista em entrevista ao Feed TV.
Quem deve ter cautela
De acordo com o oftalmologista, pessoas com profissões ou atividades que exigem visão muito precisa para detalhes, como dentistas, costumam se adaptar melhor às lentes monofocais. O mesmo vale para quem dirige à noite.
“Um paciente que dirige muito em estradas, por exemplo, pode sentir muito impacto na qualidade da visão e ver halos ao redor das luzes se usar as lentes multifocais”, afirma Rubens Belfort Neto.
Pacientes com doenças na mácula ou no nervo óptico também podem não obter o resultado esperado com esse tipo de lente.
Expectativas devem ser alinhadas
Mais do que optar entre monofocal e multifocal, o paciente deve conversar com o oftalmologista sobre o que espera da visão após a cirurgia. Rotina, atividades profissionais e hábitos são fatores importantes para definir a lente mais adequada.
O especialista alerta ainda que a decisão não deve se basear em recomendações genéricas. A escolha precisa ser feita em conjunto com o médico, considerando as características individuais de cada paciente.
“Por isso, é fundamental conversar com seu oftalmologista para entender qual lente é mais adequada para seus olhos, suas atividades e suas expectativas. O mais importante é saber não apenas o que você pode ganhar com a lente escolhida, mas também quais são suas possíveis limitações”, conclui.
Por: Felipe Reis – @ofelipereis








