Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Estudo associa canetas emagrecedoras à redução de ansiedade e depressão

Pesquisa revela que análogos de GLP-1 podem beneficiar a saúde mental

Um estudo recente sugere que as canetas injetáveis, originalmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes e, mais tarde, para o combate à obesidade, podem oferecer benefícios adicionais para a saúde mental. A pesquisa, que envolveu quase 100 mil participantes, foi publicada nesta quarta-feira (18) na renomada revista científica “The Lancet Psychiatry”, indicando uma possível associação entre o uso desses medicamentos e a diminuição de quadros de ansiedade e depressão.

Os medicamentos em questão são os análogos de GLP-1, que simulam a ação de um hormônio natural do corpo. Dentre os participantes do estudo, mais de 20 mil realizaram tratamentos com essas substâncias. A semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, é um exemplo notável dessa classe, que ganhou ampla popularidade por sua eficácia na perda de peso, além de seu uso original no tratamento da diabetes.

Os resultados da investigação apontaram uma forte associação entre o uso da semaglutida e uma redução significativa em problemas de saúde mental. Durante o período em que os pacientes utilizaram a substância, observou-se uma queda de 42% nos afastamentos do trabalho e nas internações por motivos psiquiátricos, em comparação com os períodos sem o tratamento. Analisando as condições individualmente, o risco de depressão foi 44% menor, e o de transtorno de ansiedade, 38% menor.

Mark Taylor, professor da Griffith University e um dos pesquisadores envolvidos no estudo, comentou sobre a complexidade em determinar o mecanismo exato por trás dessa associação. Ele sugere que, além da melhora na autoestima e da perda de peso, um controle mais eficaz do açúcar no sangue pode influenciar positivamente a regulação do humor. Há também evidências de que agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, podem ter um efeito central no cérebro, possivelmente através das vias de recompensa relacionadas à dopamina, além de potenciais efeitos anti-inflamatórios ou de estímulo à recuperação cerebral. Adicionalmente, o estudo associou o uso da semaglutida a uma redução de 47% em hospitalizações e afastamentos relacionados ao consumo de substâncias, reforçando pesquisas anteriores que indicam o potencial desses medicamentos no tratamento e prevenção de vícios.

Apesar dos resultados promissores, Mark Taylor ressalta que o estudo demonstra uma forte associação, mas não estabelece uma relação de causalidade direta. Para comprovar essa ligação, seriam necessários ensaios clínicos randomizados, idealmente comparando o medicamento com um tratamento ativo já estabelecido. Contudo, a pesquisa abre uma nova e importante linha de investigação, explorando a intrincada interação entre metabolismo, cérebro e comportamento, e o potencial terapêutico dos análogos de GLP-1 para além de suas indicações atuais.

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