Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Diagnóstico de câncer de próstata em Lito Sousa levanta debate sobre rastreamento regular

Especialistas explicam como a doença pode ser detectada mesmo com exames de rotina.

O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, revelou publicamente seu diagnóstico de câncer de próstata. A descoberta ocorreu apesar de ele manter uma rotina rigorosa de exames preventivos. O caso de Sousa reacende o debate sobre a complexidade do rastreamento da doença e a importância de uma abordagem multifacetada na detecção precoce.

A confirmação do adenocarcinoma de agressividade intermediária em Lito Sousa veio após alterações nos níveis de PSA, que levaram a uma investigação mais aprofundada. O próprio influenciador relatou em suas redes sociais que sempre realizou acompanhamento médico, incluindo o exame de toque retal, o que torna seu caso um exemplo claro de como a doença pode se manifestar mesmo em pacientes vigilantes. A situação levanta uma questão comum sobre a eficácia dos exames de rotina.

Especialistas na área da urologia enfatizam que o rastreamento do câncer de próstata é um processo em etapas, onde nenhum exame isoladamente é conclusivo. O urologista Rafael Ambar, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), explica que o PSA (Antígeno Prostático Específico) é um importante sinal de alerta, mas não um diagnóstico definitivo. Seus níveis podem ser elevados por diversas condições, como inflamações ou aumento benigno da próstata, e até mesmo alguns tumores iniciais podem apresentar alterações discretas. Por isso, o resultado do PSA é sempre interpretado em conjunto com outros fatores, como idade e histórico familiar.

Além do PSA, o exame de toque retal permanece uma ferramenta crucial, permitindo ao médico avaliar diretamente a próstata e identificar endurecimentos ou nódulos que podem não afetar significativamente o PSA. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que negligenciar qualquer um desses exames reduz a capacidade de identificar tumores em estágios iniciais. Em casos de suspeita levantada pelo PSA, toque retal ou histórico, a ressonância magnética multiparamétrica é frequentemente o próximo passo, fornecendo imagens detalhadas para guiar a biópsia, que é o único método para a confirmação definitiva do câncer. O presidente da SBU, Luiz Otávio Torres, ressalta que “o câncer de próstata é silencioso. Quando surgem sintomas, muitas vezes ele já está em estágio avançado”.

A detecção precoce, como no caso de Lito Sousa, é fundamental para o sucesso do tratamento, que pode incluir cirurgia ou radioterapia quando a doença está restrita à glândula, com chances de cura superiores a 90%. O coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, Maurício Cordeiro, afirma que “o que salva vidas é identificar o tumor antes que ele avance”. O câncer de próstata é o mais comum entre os homens brasileiros, com cerca de 71,7 mil novos diagnósticos anuais, segundo o INCA, e foi responsável por 17.587 mortes em 2024. A SBU recomenda que homens com histórico familiar de câncer de próstata, mama ou colorretal iniciem a discussão sobre rastreamento com um urologista por volta dos 40 anos, enquanto para aqueles sem fatores de risco conhecidos, a conversa deve começar aos 45 anos, sempre com decisões individualizadas.

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