Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que causou a morte de Gabriel Ganley

Especialistas explicam riscos e relação com uso de anabolizantes.

A morte súbita do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, ocorrida neste sábado, 23 de maio de 2026, teve como causa a cardiomiopatia hipertrófica, conforme apontado em seu atestado de óbito. A condição cardíaca, muitas vezes silenciosa, gerou grande repercussão e levantou discussões sobre os riscos associados a essa doença, que afeta diretamente o músculo do coração e pode levar a complicações fatais.

A cardiomiopatia hipertrófica é uma condição grave que pode se manifestar mesmo em indivíduos jovens e aparentemente saudáveis. Para esclarecer os riscos da doença, seus sinais de alerta e a possível relação com o uso de anabolizantes, os cardiologistas Dr. Giulio Cesare e Dr. Edmo Atique Gabriel concederam entrevista ao portal LeoDias, detalhando os aspectos clínicos e preventivos da enfermidade.

Segundo Dr. Giulio Cesare, a cardiomiopatia hipertrófica é uma alteração estrutural significativa no coração, caracterizada pelo espessamento das paredes da musculatura cardíaca, geralmente de origem genética. Essa condição é responsável por quase 90% das mortes súbitas em pacientes com menos de 35 anos, pois dificulta o enchimento e a saída do sangue do coração, além de aumentar consideravelmente o risco de arritmias graves. Dr. Edmo Atique Gabriel complementa que o espessamento progressivo compromete o funcionamento do órgão ao longo do tempo, podendo ter causas genéticas ou ser estimulado por substâncias como anabolizantes. A doença pode ser assintomática por muitos anos, mas quando os sintomas surgem, incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura, desmaios e queda de desempenho físico, podendo evoluir para arritmias e morte súbita em casos mais avançados.

Ambos os especialistas foram categóricos ao afirmar que a cardiomiopatia hipertrófica é uma das principais causas de morte súbita em jovens atletas e pessoas abaixo dos 35 anos, especialmente durante esforço físico intenso, quando o coração é mais exigido. O caráter hereditário da doença também foi enfatizado, com a recomendação de avaliação familiar e acompanhamento cardiológico rigoroso para descendentes, sendo o ecocardiograma transtorácico com doppler colorido um exame essencial para o rastreio. A prática intensa de exercícios físicos, embora não cause a doença em indivíduos saudáveis, pode agravar o quadro em portadores, e o uso de esteroides anabolizantes foi apontado como um fator que aumenta significativamente os riscos cardiovasculares, elevando a chance de insuficiência cardíaca e morte súbita em até sete vezes no contexto do fisiculturismo com uso dessas substâncias.

Para o diagnóstico, Dr. Giulio Cesare e Dr. Edmo Atique Gabriel destacam o eletrocardiograma e, principalmente, o ecocardiograma como exames fundamentais, com a ressonância magnética e a avaliação genética auxiliando na investigação mais aprofundada. Após o diagnóstico, é possível conviver com a doença mediante acompanhamento médico adequado e mudanças no estilo de vida, que podem incluir medicamentos para controlar sintomas e arritmias, restrições a exercícios intensos em alguns pacientes e, em situações específicas, implante de desfibrilador cardíaco ou procedimento cirúrgico. A hipótese de hipoglicemia, levantada antes da causa oficial da morte de Gabriel Ganley, também foi abordada; os médicos explicaram que a hipoglicemia grave, muitas vezes causada pelo uso inadequado de insulina por não diabéticos para fins estéticos, pode provocar descarga de adrenalina, aumentar a frequência cardíaca e favorecer arritmias, agravando o quadro de cardiomiopatia hipertrófica e podendo levar a complicações fatais devido ao crescimento descontrolado do músculo cardíaco.

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