Celulite (Foto: Freepik)

Celulite (Foto: Freepik)

Saúde

41% das mulheres já deixaram de postar uma foto por causa da celulite, aponta levantamento

No Dia Nacional do Combate à Celulite, em 7 de abril, dados indicam que o incômodo passou a surgir na imagem

No dia 7 de abril, quando se celebra o Dia Mundial da Saúde, o Brasil chega ao segundo ano de uma iniciativa que tenta deslocar a discussão sobre celulite para além da estética. A coincidência das datas não é apenas simbólica. Ela marca uma mudança de abordagem. A celulite permanece como uma condição comum, mas o modo como ela é percebida passou a ser influenciado por um ambiente em que a imagem se tornou central.

Um levantamento interno realizado no primeiro trimestre de 2026, com cerca de 500 mulheres em atendimento, partiu de uma pergunta simples. Em que momento a celulite incomoda mais. A resposta indica um padrão menos ligado ao corpo e mais ao contexto em que ele é observado.

Entre as entrevistadas, 41% afirmam já ter deixado de publicar uma foto por causa da celulite. O dado se conecta a outros comportamentos. 62% relatam perceber mais a celulite em imagens do que no espelho. 48% dizem analisar o corpo antes de postar. E 36% afirmam que o incômodo aumenta após a comparação com outras mulheres nas redes sociais.

Os números não têm caráter científico, mas desenham uma sequência clara. A percepção surge na imagem, se intensifica na análise e se consolida na comparação.

Para o médico Roberto Chacur (CRM SP 124125), referência em tratamentos corporais, o fenômeno não está relacionado a uma mudança física. “Eu vejo pacientes que sempre tiveram celulite e passaram a se incomodar mais depois que começaram a se ver em fotos. A imagem congela o corpo, aproxima, evidencia textura. O que no movimento não chama atenção, na foto ganha outro peso.”

Segundo ele, o ambiente digital cria uma distorção de referência. “A celulite não aumentou. O que aumentou foi o nível de observação. A mulher se vê parada, ampliada, e passa a usar essa imagem como parâmetro. Isso muda completamente a percepção.”

Chacur afirma que esse processo altera a natureza do incômodo. “A frustração deixa de estar só no corpo e passa a estar na expectativa. A referência deixa de ser o corpo real e passa a ser uma imagem construída.”

A médica Nívea Bordin Chacur observa que essa mudança aparece de forma recorrente na prática clínica. “Muitas mulheres relatam que não se incomodam no dia a dia, mas passam a se incomodar quando se veem em uma foto. Isso mostra que a percepção não é contínua. Ela depende do contexto”, destaca.

Segundo ela, é nesse ponto que o tema passa a dialogar com saúde: “Se a imagem interfere em decisões simples, como publicar ou não uma foto, estamos falando de comportamento. E comportamento impacta diretamente a forma como a mulher se relaciona com o próprio corpo.”

O levantamento foi realizado a partir de atendimentos conduzidos pela GoldIncision, responsável pela criação da data no Brasil, e buscou observar padrões de percepção mais do que medir a presença da condição.

Ao completar dois anos, o 7 de abril deixa de ser apenas um marco simbólico e passa a sugerir uma mudança de foco. A celulite continua a mesma. O que mudou foi o lugar onde ela incomoda. Cada vez menos no espelho, cada vez mais na tela.

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