Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)

Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)

Lifestyle

Fhabi Hanna fala sobre maternidade após os 40: “Cada mulher tem seu tempo”

Em entrevista ao Feed TV, artista conta que sofreu pressão pela idade

Aos 40 anos, Fhabi Hanna vive uma fase em que diz se sentir física e emocionalmente melhor do que quando tinha vinte e poucos. Influenciadora digital, apresentadora e cantora, ela construiu sua trajetória profissional enquanto, na vida pessoal, esperava sentir que havia chegado o momento certo para realizar um desejo que sempre esteve presente: construir uma família.

Para Fhabi, completar 40 nunca representou um prazo vencido. A idade, segundo ela, foi apenas mais um número. A decisão de ser mãe envolvia questões que iam além do relógio biológico, como estabilidade, relacionamento, maturidade emocional e a certeza de estar preparada para a chegada de uma criança. “Fisicamente e emocionalmente, eu me sinto muito melhor do que quando tinha meus vinte e poucos anos. A chegada dos 40, sinceramente, não me impactou. Eu vi apenas um número”, revela, em entrevista ao Feed TV.

A artista conta que sempre quis construir uma família, mas nunca transformou esse desejo em uma obrigação determinada pela idade: “Para mim, ser mãe envolve muito mais do que idade. Envolve ter estrutura para essa nova vida, estar em um relacionamento saudável, estar bem comigo mesma e, principalmente, estar segura de que chegou a minha hora. Também era importante saber que eu tinha ao meu lado um homem que seria um bom pai para os meus filhos.”

A pressão do relógio biológico

Embora Fhabi tenha respeitado o próprio tempo, as pessoas ao redor nem sempre fizeram o mesmo. Ao longo dos anos, ela ouviu repetidamente que precisava se preocupar com a idade caso quisesse engravidar.

“Existe, infelizmente, uma realidade chamada relógio biológico. Durante muitos anos ouvi cobranças: ‘O tempo está passando’, ‘já passou da hora’ e tantas outras coisas. Algumas dessas palavras me machucaram, mas nem por um instante pensei em colocar um filho no mundo para satisfazer a expectativa de outras pessoas.”

Para ela, a responsabilidade envolvida na maternidade sempre falou mais alto do que qualquer pressão externa. “Gerar uma vida é uma responsabilidade imensa e para a vida inteira. Essa decisão precisava ser minha.”

Alguns dos comentários que ouviu foram ainda mais diretos. Fhabi conta que chegou a ser questionada por cuidar da aparência enquanto ainda não tinha filhos. “Ouvi coisas como: ‘Em vez de ficar se cuidando e se preocupando em ficar bonita, deveria estar preocupada em ter filhos’. ‘Você está ficando velha.’ ‘Você precisa entender que está envelhecendo.’”

Ela admite que determinadas falas tiveram impacto emocional, principalmente por terem partido de pessoas que faziam parte de sua vida naquele momento: “Sim, ouvi muitos comentários cruéis. Alguns me faziam chorar, principalmente porque vinham de pessoas que, naquela época, eu até admirava. Hoje, essas pessoas já não fazem parte da minha vida.”

Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)
Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)

Um comentário que nunca esqueceu

Entre todas as situações vividas, uma ficou especialmente marcada. Durante uma coleta de óvulos, Fhabi sofreu uma hemorragia interna. Em meio à situação delicada, ouviu de uma pessoa que o episódio seria consequência de não ter tido filhos mais cedo. “E ouvi algo que jamais vou esquecer. Quando passei por uma hemorragia interna durante uma coleta de óvulos, alguém chegou a dizer: ‘A culpa é sua. Se tivesse tido filho antes, não estaria passando por isso.’”

Apesar das experiências, Fhabi afirma que não olha para trás se perguntando se deveria ter tentado engravidar mais cedo. Para ela, decisões pessoais não precisam ser justificadas a partir das expectativas de terceiros. “Eu aprendi que não preciso justificar as escolhas que dizem respeito à minha própria vida. Cada mulher tem seu tempo, sua história, seus desejos e suas circunstâncias. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra.”

Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)
Fhabi Hanna (Foto: Acervo pessoal)

Preparada para críticas

Carreira, relacionamentos, estabilidade emocional e estrutura financeira também fizeram parte do processo até que Fhabi se sentisse preparada para tentar a maternidade. “Gerar uma vida exige muito do corpo, do psicológico, da estabilidade emocional e também da estrutura financeira.”

A artista ressalta que nunca buscou um cenário perfeito, mas considerava importante ter uma base que lhe permitisse assumir não apenas uma gestação, mas também tudo o que envolve criar uma criança. “Ter um bom ambiente para uma gestação sempre foi importante para mim. É claro que a vida nunca oferece condições perfeitas, mas, falando da minha experiência, pensar em gerar uma vida sem estabilidade e sem uma rede de apoio não era uma opção. Eu queria estar preparada não apenas para engravidar, mas para tudo o que vem depois.”

A experiência também fez Fhabi mudar a maneira como enxerga o próprio cuidado. Hoje, saúde física e emocional, alimentação, família, amizades, médicos e rotina fazem parte de uma visão mais ampla de bem-estar. “Depois de todo esse processo, aprendi a me cuidar melhor. E quando digo cuidar, falo de tudo: saúde, alimentação, amigos, família, médicos, rotina, emocional… de mim como um todo.”

Em vez de olhar para trás e se culpar pelas decisões tomadas quando tinha menos informações, ela prefere concentrar a atenção no que pode fazer no presente. “Também aprendi a não me cobrar por aquilo que, dez anos atrás, eu não sabia que poderia fazer. Eu não tinha aquela informação, aquele conhecimento, aquela maturidade. E tudo bem.”

Uma pergunta passou a acompanhá-la nesse processo: “Agora que eu sei, o que posso fazer? Acho que essa pergunta mudou muita coisa para mim.”

Para mulheres que passaram dos 40 e ainda desejam engravidar, Fhabi defende informação, preparação e acompanhamento profissional, mas também reforça que nenhuma mulher deveria carregar culpa caso a maternidade não aconteça da maneira imaginada. “Para as mulheres que passaram dos 40, eu diria: conheça todos os caminhos possíveis para uma gravidez. Não deixe dúvidas sem resposta. Procure informação, se prepare, se conheça e converse com bons profissionais.”

“E, quando você se sentir pronta, talvez esse seja o seu momento de tentar. Lembre-se: você é responsável pela sua vida e também pela nova vida que pode vir a nascer. Por isso, escolha com consciência, amor e responsabilidade.”

Por fim, Fhabi deixa um recado para quem está atravessando esse processo: “Agradeça muito a Deus se tudo der certo. Mas, se não der, não se culpe. Você fez o seu melhor.”

Por: Felipe Reis – @ofelipereis

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