Coquetel (Foto: Starlane)

Consumo alcoólico registra queda drástica entre jovens e impulsiona coquetelaria sem álcool

Bar em São Paulo investe em alta coquetelaria sem álcool

A redução no consumo de bebidas alcoólicas consolidou-se como uma forte tendência de comportamento, impulsionada principalmente pelas novas gerações. Um estudo da MindMiner aponta que apenas 45% da Geração Z brasileira consome álcool atualmente, registrando o menor índice desde 1962. O movimento, conhecido globalmente como sober curious, também avança entre os Millennials e redefine o mercado de entretenimento e hospitalidade.

O impacto dessa mudança já é sentido no setor de bebidas. No Brasil, o consumo de opções zero álcool saltou de 133 milhões de litros em 2018 para 752 milhões em 2024. A projeção é que esse volume alcance 1,18 bilhão de litros até 2026. Relatórios de institutos como Euromonitor e Mintel indicam que o consumo de álcool entre os jovens no mundo pode cair até 20% até 2030, enquanto o nicho de bebidas conscientes deve dobrar de tamanho no mesmo período.

Atento a esse cenário de readequação da vida noturna, o Starlane, bar londrino inaugurado em 2025 em São Paulo, reformulou sua oferta. O espaço ampliou a carta de drinks autorais sem álcool, desenvolvida pela equipe de coquetelaria liderada por Gunter Sarfert em parceria com Ingrid Shindo. A premissa é entregar a complexidade sensorial da mixologia clássica em versões totalmente isentas de álcool.

“Mais que uma tendência, é um fato que o interesse por drinks com baixo ou nenhum teor alcoólico aumentou muito. Não tem como não contemplar esse fato quando pensamos em uma carta de drinks”, avalia Gunter Sarfert, chefe de bar da casa.

A nova linha, batizada de Starlane Mocktails, oferece quatro criações fixadas em R$ 35 cada. Entre as opções estão o ‘Brasil com S’, feito com xarope de maracujá, manjericão, yuzu e água com gás, e o ‘Shibuya’, que traz manjericão basílico e um toque levemente picante de xarope de wasabi.

Para Lisa Uhlendorff, sócia do estabelecimento, a inclusão atende a uma exigência mercadológica focada na experiência do cliente. “Não fazia sentido que justamente quem escolhesse não beber tivesse menos opções ou precisasse abrir mão de um bom drink. Nossa carta sem álcool foi criada com o mesmo cuidado e a mesma atenção que qualquer outra parte do menu”, explica.

O desafio técnico de manter o padrão da alta coquetelaria é ressaltado por Gunter Sarfert, que destaca a necessidade de combinar ingredientes inesperados e técnicas avançadas. O especialista recomenda o ‘Soft Yuzu Core’, que une cerveja zero, yuzu e limão, como uma alternativa altamente refrescante, indicada inclusive para o público habituado ao consumo de bebidas tradicionais.

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