Com o Dia do Orgulho Autista oficializado em 2026 e celebrado no dia 18, o mês de junho convidou a sociedade a esquecer os velhos estereótipos e abraçar de vez a neurodiversidade. Para debater esse impacto e entender a fundo como a atividade física virou uma verdadeira virada de chave para a inclusão, o Feed TV conversa com a educadora Michelle Lafraia, referência na integração de crianças no espectro através do esporte.
Formada em Educação Física (2002) e Pedagogia (2023), a especialista tem o foco voltado para a adequação escolar e defende o movimento corporal como pilar inegociável na rotina dos alunos e investiu em formação contínua em Adequação no Autismo e Necessidades Educacionais Especiais. “O Dia do Orgulho Autista propõe que a sociedade enxergue o autismo sob a ótica da neurodiversidade. A data convida famílias e escolas a valorizar a identidade, combater estigmas e promover a participação social”, ressalta Michelle Lafraia, lembrando que celebrar o potencial de cada um deve ser uma tarefa diária.
E não estamos falando apenas de suar a camisa por lazer. A prática esportiva atua como uma aliada de peso no desenvolvimento, já que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente apresentam alterações de motricidade e coordenação. “A atividade ajuda a desenvolver habilidades motoras e sociais, diminui a hiperatividade e melhora o bem-estar. Na prática, vemos nossos alunos mais confiantes, comunicativos e participativos”, relata a profissional.
No alto rendimento, o diagnóstico fica longe de ser um limite, tornando o esporte um espaço de vitória e pertencimento. Michelle Lafraia cita gigantes que brilham mundialmente para inspirar novas gerações: Joe Barksdale arrasou nos gramados da NFL. Nas piscinas, o canadense Nicholas Bennett e o holandês Marc Evers dominam as águas e colecionam recordes paralímpicos. Nas pistas, Michael Brannigan fez história no atletismo da Rio 2016. Em quadra e no campo, nomes pioneiros como Anthony Ianni e Greg Halford quebraram barreiras, enquanto Clay Marzo usa o surfe e sua visibilidade nas ondas para engajar o público sobre o espectro.

A trajetória da especialista ganhou ainda mais bagagem com sua ida aos Estados Unidos. Aperfeiçoando o idioma na Flórida, ela dedica seu tempo livre ao voluntariado em projetos esportivos locais. O talento brasileiro não passou despercebido: a Pathway Homeschooling Services, uma agência de tutoria para crianças autistas em Orlando, rapidamente quis tê-la no time. “Eles perceberam que muitas famílias buscavam atividades físicas inclusivas e me procuraram. Caso eu decida permanecer nos Estados Unidos para trabalhar, eles têm interesse em desenvolver um programa que integre acompanhamento escolar à prática esportiva”, revela a educadora, que já mira 2027 para lançar seus projetos-piloto de clínicas esportivas.
Na balança entre o cenário americano e o brasileiro, a diferença nas estruturas salta aos olhos. Nos EUA, o financiamento robusto sustenta programas adaptados de ponta. Por aqui, a história ainda exige muita luta por políticas públicas. “Projetos isolados não são suficientes; é preciso uma rede que envolva escolas, clubes, famílias e órgãos governamentais”, avalia.
Para quem quer dar o primeiro passo na inclusão esportiva em casa ou na escola, a dica é direta e reta: mergulhe nos interesses e nas sensibilidades da criança para escolher a modalidade certa, garantindo uma rotina previsível e amparada por apoio visual. “Sempre digo que o respeito ao ritmo individual é a base para qualquer progresso”, finaliza Michelle Lafraia, na torcida para que o esporte seja, de uma vez por todas, um direito real na vida de todas as pessoas autistas.
Por: Felipe Reis








