A disparidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro continua sendo uma realidade. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE, a taxa de desocupação feminina no segundo trimestre de 2026 bateu 6,4%. Esse índice é 39% maior do que o registrado entre os homens, que ficou em 4,6%. O cenário evidencia como o acúmulo de funções domésticas ainda recai sobre o público feminino, criando grandes barreiras para o desenvolvimento profissional.
Além da desigualdade cotidiana, a força de trabalho feminina também foi a mais afetada por crises corporativas recentes. A onda de cortes pós-pandemia, os chamados layoffs, atingiu as profissionais de forma muito mais dura, especialmente nos setores de tecnologia e inovação. Um levantamento da plataforma Eightfold AI revelou que as mulheres tiveram 65% mais chances de serem demitidas do que seus colegas homens durante essas reestruturações. Para tentar combater essa exclusão, novas iniciativas começam a focar na visibilidade desses talentos.
“A gente consegue entender que hoje as mulheres têm muito mais atribuições domésticas do que os homens”, ressalta Carolina Moreno, CEO e fundadora do Mulheres no E-commerce. Grávida e vivendo a jornada dupla no dia a dia, ela destaca, em entrevista ao Feed TV, sobre o trajeto que a sociedade ainda precisa percorrer. “A gente percebe essa diferença nesse meio. A mulher acaba sendo mais atribuída às tarefas domésticas e tem que, ao mesmo tempo, lutar e batalhar para ter relevância e protagonismo na carreira dela.”
Com cerca de 60% do peso das demissões nos setores de tecnologia e varejo caindo nas costas das mulheres, a executiva decidiu agir: “Olhando para esse número, pensamos em como podíamos, como comunidade, ajudar a resolver o problema. Percebemos que não é falta de talento ou competência. É falta de visibilidade.”

A saída para tentar frear essa queda foi criar um Banco de Talentos próprio. Na plataforma, é possível cadastrar o currículo de forma gratuita e segura, mantendo dados pessoais, como e-mail e telefone, ocultos para evitar exposição. Na outra ponta, para as empresas o acesso também é gratuito: recrutadores filtram por área, senioridade, estado e modelo de trabalho e demonstram interesse direto pela plataforma. “Foi o formato que encontramos para colocar as mulheres e mostrá-las para o mundo. Só neste ano, já recebemos mais de mil vagas e fazemos esse match”, conta a executiva.
O que começou há dez anos de forma despretensiosa em um grupo de WhatsApp, sob a liderança de Carolina Moreno, ganhou proporções continentais. Hoje, o Mulheres no E-commerce é um dos maiores movimentos digitais da América Latina, com mais de 60 mil participantes. O próximo passo da iniciativa não é apenas conectar as profissionais às vagas, mas também reeducar o mercado para que grandes marcas e recrutadores percebam o talento feminino que muitas vezes acaba esquecido.
Entrevista completa no Instagram
Por: Felipe Reis








