O mercado de benefícios corporativos no Brasil, responsável por movimentar quase R$ 200 bilhões por ano, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), passa por uma reestruturação impulsionada pela tecnologia e por novas regras. Criado em 1976, o modelo tradicional do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) dependia essencialmente de cartões plásticos e de taxas elevadas para o comércio, um cenário que começa a recuar diante de novos formatos.
As tarifas cobradas dos estabelecimentos comerciais chegam a atingir dois dígitos por operação. Esse custo operacional costuma ser repassado ao preço final dos alimentos, impactando o consumidor. Pela falta de condições para arcar com as taxas, parte do pequeno varejo de bairro recusa os cartões tradicionais, o que restringe as opções de compra do trabalhador.
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Para mitigar os atritos do setor, o Decreto 12.712/2025 estabeleceu novas diretrizes de mercado. A legislação limita os juros cobrados do comércio, exige a interoperabilidade entre as redes e fixa prazos rígidos para o repasse dos valores financeiros. A expectativa oficial é que as medidas gerem uma economia de até R$ 8 bilhões para os varejistas, abrindo espaço para meios alternativos de pagamento.
Migração para o ambiente digital
A transformação regulatória estimula soluções focadas no arranjo do Pix, dispensando cartões físicos. Fintechs utilizam a infraestrutura instantânea para remover as taxas de intermediação de forma definitiva. É o caso da Valepix, plataforma que centraliza os multibenefícios por meio de transferências em tempo real, zerando a taxa de aceitação para os comerciantes parceiros.
Para cumprir as exigências do PAT e garantir que os recursos de alimentação sejam usados exclusivamente para a compra de comida, a startup utiliza inteligência artificial. O sistema analisa as operações em tempo real e valida o segmento do comércio antes de aprovar a transação. O saldo do usuário fica dividido em três carteiras no aplicativo: Alimentar, Mobilidade e Livre (destinada a premiações).
A tecnologia também automatiza os reembolsos e a gestão de despesas corporativas. O funcionário envia o comprovante pelo aplicativo, e a ferramenta faz o vínculo automático com o gasto correspondente, reduzindo o volume de planilhas manuais nos departamentos de Recursos Humanos.
O fundador da empresa, Leandro Colhado, relata o impacto do formato histórico na ponta final: “Eu já usei cartão-alimentação e tive que vender porque não achei onde passar. Minha grande luta é mostrar para as empresas que a taxa zero nunca existiu. O colaborador que recebe R$ 600 por mês em benefício pode estar perdendo até um salário mínimo por ano.”
A conexão direta com o ecossistema do Pix ainda viabiliza redes de vantagens integradas no próprio sistema. As lojas parceiras podem configurar margens de desconto de forma automática no momento do pagamento, aplicando o mesmo benefício das compras tradicionais à vista.
“Quem paga à vista sempre teve que ter desconto. A gente quer inverter a equação: em vez de o trabalhador perder dinheiro no benefício, ele passa a comprar mais comida, porque tem desconto e está pagando em Pix”, conclui Leandro Colhado.








