A era do garoto genial criando um império bilionário na garagem de casa pode estar com os dias contados. Se o boom da internet premiou a juventude e a agilidade de quem não tinha nada a perder, a revolução da inteligência artificial está abrindo caminho para uma nova geração de milionários: os veteranos do mercado corporativo.
O ecossistema de inovação sempre vendeu o mito do universitário brilhante como regra de sucesso, mas os números contam outra história. Um estudo do MIT, liderado pelo economista Pierre Azoulay, aponta que a média de idade dos fundadores de startups de alto crescimento é de 45 anos. A novidade é que a IA age como o ingrediente secreto que faltava para impulsionar quem já tem muita experiência, mas esbarrava na lentidão da execução.
A grande virada de chave é que a internet democratizou o acesso à informação, enquanto a IA democratizou a capacidade de fazer acontecer. Um executivo, médico ou advogado na faixa dos 40 ou 50 anos agora consegue usar a tecnologia para pesquisar, estruturar e testar estratégias em tempo recorde. Esse profissional não precisa mais de uma equipe inteira de desenvolvedores para tirar uma ideia do papel; o que vale ouro agora é o “repertório” — o conhecimento profundo de quem passou décadas mapeando as falhas e os problemas de um setor específico.
++ Estudo aponta que 40% das grandes empresas usarão IA agêntica até 2026
Enquanto o profissional de 20 anos domina as novas ferramentas com facilidade e tem a vantagem de não se apegar a modelos antigos, os mais velhos sabem exatamente onde a dor do cliente bate. A combinação dessa bagagem com um assistente virtual capaz de realizar o trabalho de um time inteiro muda completamente o jogo financeiro. A próxima grande empresa bilionária pode muito bem nascer da mente de alguém que passou os últimos vinte anos se preparando nos bastidores para essa revolução tecnológica sem sequer perceber.