Engenharia forense (Foto: Pexels)

Engenharia forense (Foto: Pexels)

Sustentabilidade e ESG

Engenharia forense cresce no mundo e atrai mercado de US$ 10 bi

Envelhecimento dos imóveis e novas leis aumentam a busca por vistorias prediais e gestão de riscos

O surgimento de rachaduras, infiltrações e desabamentos movimenta um mercado global avaliado em até US$ 10 bilhões. A engenharia forense, dedicada a diagnosticar causas de falhas estruturais, projeta um crescimento anual de 4% a 8% nesta década. O avanço reflete um problema crônico em escala mundial: o envelhecimento do estoque imobiliário.

Na União Europeia, 85% dos edifícios foram erguidos antes de 2001. No Brasil, a construção civil segue aquecida, com estimativa de movimentar R$ 2,7 trilhões até 2030, o que gera demanda constante por vistorias prediais rigorosas, agora impulsionadas por normas técnicas da ABNT.

Nos Estados Unidos, o cenário é reforçado pela alta nos litígios e por urgências regulatórias, enquanto entidades de classe apontam que mais de 80% das construtoras enfrentam escassez de mão de obra técnica. Na Flórida, o desabamento do edifício Champlain Towers South em 2021, que resultou em 98 mortes, motivou a aprovação de uma lei estadual que exige inspeções periódicas em condomínios com três ou mais andares.

A exigência criou uma demanda imediata por profissionais especializados no país, que soma cerca de 369 mil engenheiros civis empregados com salários medianos próximos a US$ 100 mil anuais.

“A engenharia forense deixou de ser algo acionado só depois da tragédia para se tornar uma ferramenta de prevenção e de gestão de risco”, explica o engenheiro civil brasileiro Matheus A. Dourado. Radicado na Flórida e com atuação em comitês da ASTM International e da ASCE, ele participou de investigações técnicas e ensaios destrutivos em 76 empreendimentos residenciais de 40 cidades americanas entre 2024 e julho de 2026. Segundo o especialista, o mundo tem um estoque gigante de edifícios sofrendo com um clima cada vez mais extremo, e é vital diagnosticar essas construções antes que os problemas virem acidentes.

Foto: Matheus A. Dourado
Foto: Matheus A. Dourado

Com experiência prévia em incorporação imobiliária na Bahia, Matheus A. Dourado planeja abrir uma consultoria boutique na Flórida voltada para auditorias e prevenção de litígios para associações condominiais, construtoras e proprietários. A projeção para o negócio é faturar US$ 270 mil no primeiro ano de operação e alcançar quase US$ 1 milhão no quinto ano.

“Nos Estados Unidos, o mercado é grande, mas muito fragmentado, o que abre espaço para consultorias especializadas e ágeis”, avalia o engenheiro. “Vejo Brasil, Europa e EUA caminhando na mesma direção: mais inspeção, mais diagnóstico e mais responsabilização técnica”.

Por: Felipe Reis

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