O cantor Zé Felipe, de 28 anos, revelou ter sido diagnosticado com síndrome do piriforme, uma condição que pode provocar dores intensas na região dos glúteos e irradiar para as pernas.
O artista contou que procurou atendimento médico após sentir o desconforto e atribuiu o problema à repetição de movimentos durante exercícios físicos. O diagnóstico foi confirmado nesta quarta-feira (28), durante uma interação no Instagram.
Segundo ele, inicialmente havia a suspeita de que a dor estivesse relacionada ao nervo ciático, mas o problema ocorre ao lado do nervo, nas nádegas. Na sexta-feira (23), o cantor já havia relatado dores intensas na região e contado que uma injeção havia proporcionado alívio parcial. Agora, ele afirma que está seguindo o tratamento medicamentoso e que já percebe uma melhora dos sintomas.
O que é a síndrome do piriforme
Apesar de ser frequentemente confundida com problemas na coluna, como a hérnia de disco, a síndrome do piriforme tem origem em um músculo localizado profundamente na região dos glúteos. O piriforme participa dos movimentos do quadril, ajudando a girar a coxa para fora e a afastar a perna do corpo.
Quando esse músculo sofre alterações, como contraturas, espasmos ou aumento de volume, e comprime o nervo ciático, pode desencadear uma dor que se espalha pela parte posterior da coxa e da perna. O problema pode atingir tanto pessoas que praticam atividades físicas intensas quanto aquelas que passam muitas horas sentadas.
Causas e sintomas
A sobrecarga muscular e a repetição de movimentos estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da síndrome. O ortopedista Helio Okamura explica que atividades físicas intensas podem provocar hipertrofia, contraturas e espasmos, aumentando a pressão sobre o nervo ciático. O chefe da Medicina do Esporte do IOT-HCFMUSP, André Pedrinelli, acrescenta que a condição é menos frequente do que a hérnia de disco e pode ocorrer em corredores, ciclistas, praticantes de equitação e canoístas.
Pessoas que passam muitas horas sentadas também podem desenvolver o problema devido ao encurtamento muscular e à pressão na região glútea. Outros fatores incluem traumas, lesões e alterações anatômicas.
O principal sintoma é a dor profunda em um dos glúteos, que pode irradiar para a parte posterior da coxa ou da perna. Também podem ocorrer sensibilidade aumentada à pressão, dor ao permanecer sentado por muito tempo e formigamento ou dormência em quadros mais avançados.
Tratamento e prevenção
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e do exame físico, sendo muitas vezes um diagnóstico de exclusão para afastar problemas na coluna.
O tratamento inicial costuma ser conservador, incluindo correção dos exercícios, mudanças de postura, fisioterapia, fortalecimento dos músculos do quadril e uso de medicamentos. Em casos específicos, podem ser consideradas infiltrações com anestésicos ou toxina botulínica. A cirurgia é uma alternativa rara.
Para a prevenção, os especialistas recomendam variar os exercícios físicos para evitar a sobrecarga muscular, utilizar equipamentos adequados — como bancos com amortecimento para ciclistas — e realizar o fortalecimento da musculatura do quadril.