Créditos: Imagem/Divulgação

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Saúde

Sarampo: casos explodem 32 vezes nas Américas; qual o risco para o Brasil?

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico nesta terça-feira, 3, após um aumento alarmante de casos de sarampo na região das Américas. Em 2025, o continente confirmou quase 15 mil ocorrências da doença, representando um crescimento de 32 vezes em comparação com os 466 casos notificados em 2024. Somente nas três primeiras semanas de 2026, outros mil casos já foram registrados.

A OPAS destaca que a maioria das infecções ocorreu em indivíduos não vacinados ou sem informações claras sobre o esquema vacinal. Crianças menores de cinco anos concentram as maiores taxas de incidência, sendo os bebês com menos de um ano o grupo mais vulnerável às formas graves da doença.

A queda na cobertura vacinal é apontada como um fator crítico. Em muitos países das Américas, a aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral – que oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola – permanece abaixo dos 95% recomendados para conter a circulação do vírus. México, Canadá e Estados Unidos lideram o número de casos na região em 2025, com 6.428, 5.436 e 2.242 casos, respectivamente. Das 29 mortes registradas no continente em 2025, 22 (73%) foram em populações indígenas, evidenciando a vulnerabilidade desses grupos.

A situação no Brasil e a importância da vacinação

Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados, marcando um retrocesso no controle da doença. Segundo o relatório da OPAS, a maior parte desses registros estava associada à importação do vírus, não indicando circulação ativa. Nas primeiras três semanas de 2026, o país não registrou novos infectados.

A distribuição dos casos em 2025 foi a seguinte: Tocantins (25 casos), Mato Grosso (6), São Paulo (2), Rio de Janeiro (2), Distrito Federal (1), Maranhão (1) e Rio Grande do Sul (1). De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o sequenciamento genético permite identificar a origem dos casos. “Esses casos importados não se traduzem em circulação ativa do vírus. Dos 38 casos, a maioria foi no Tocantins, depois que uma família de caminhoneiros foi à Bolívia e voltou com sarampo, o que acabou gerando um surto em uma comunidade com baixíssima cobertura vacinal por questões religiosas”, afirmou Kfouri.

O Brasil recuperou em novembro de 2024 a certificação de país livre do sarampo, concedida pela OPAS. Renato Kfouri explica a relevância dessa conquista: “A recertificação trouxe mais segurança; o reconhecimento foi reconquistado não apenas pelas altas coberturas vacinais, mas também pela vigilância ativa, com busca de casos suspeitos, realização de exames e resultados negativos, o que demonstra que o país investiga continuamente e não encontra circulação do vírus”.

Apesar disso, Kfouri ressalta que o principal desafio é ampliar a aplicação da segunda dose da vacina. Ele indica que as coberturas vacinais no Brasil estão entre 94% e 96% para a primeira dose, mas diminuem nas doses subsequentes devido às taxas de abandono acumuladas.

O que é o sarampo e seus sintomas

O sarampo é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus transmitido por vias aéreas. Pode causar sequelas permanentes ou levar à morte. Os sintomas comuns incluem manchas brancas na parte interna da bochecha e manchas vermelhas na pele, que surgem primeiro no rosto e se espalham para os pés. Outros sinais são tosse persistente, irritação nos olhos, corrimento no nariz, febre, infecção nos ouvidos, pneumonia, diarreia, conjuntivite, perda de apetite e convulsões. O vírus também pode afetar as vias respiratórias e o encéfalo.

Alertas para viagens e a Copa do Mundo 2026

A circulação do vírus é intensificada pelo fluxo internacional. Em 2025, 71% dos casos na região das Américas foram relacionados à importação de vírus de outros continentes, como África e Mediterrâneo Oriental. A OPAS aponta a Copa do Mundo da FIFA 2026 como um fator de risco devido ao imenso fluxo de turistas esperado.

As recomendações para viajantes são claras e essenciais para a proteção individual e coletiva:

  • Vacinação Antecipada: Viajantes com mais de 6 meses de idade devem ser vacinados pelo menos 14 dias antes da partida.
  • Dose Zero: Bebês de 6 a 11 meses que viajam para áreas de transmissão devem receber a “dose zero”, que não substitui o esquema vacinal de rotina aos 12 meses.
  • Monitoramento de Sintomas: Ao retornar, é crucial ficar atento a sintomas como febre, exantema (manchas vermelhas), tosse, coriza ou conjuntivite.

“A vacinação deve alcançar toda a população, independentemente de estar viajando ou não. São duas doses para os menores de 30 anos e uma dose para pessoas entre 30 e 60 anos. Para quem vai viajar, o ideal é se vacinar pelo menos 14 dias antes, para garantir um grau de proteção”, complementa Renato Kfouri.

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