Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

No Dia Mundial da Obesidade, 66% dos pacientes apontam “escolhas pessoais” como forma de prevenção

Maioria dos entrevistados associa condição a escolhas pessoais

Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira, Dia Mundial da Obesidade, revelou uma percepção divergente sobre a condição. O levantamento, realizado pela Ipsos em 14 países, incluindo o Brasil, apontou que 66% das pessoas que vivem com obesidade acreditam que a condição pode ser prevenida por meio de “escolhas pessoais”, apesar de ser classificada como uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A análise global entrevistou 14.500 indivíduos para compreender as visões predominantes sobre o tema.

A pesquisa da Ipsos detalhou que 63% dos entrevistados concordam que “dieta e exercícios físicos, sozinhos, conseguem solucionar a questão da obesidade para a maioria das pessoas”. Pouco mais da metade, 51%, reconhece fatores genéticos e biológicos como a causa primária do problema. Contudo, especialistas e organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Federação Mundial de Obesidade, alertam que a obesidade é uma doença crônica complexa, impulsionada por uma combinação de fatores biológicos, ambientais e sociais, e não pode ser explicada apenas por escolhas individuais.

O World Obesity Atlas 2026, da Federação Mundial de Obesidade, reforça que os ambientes de vida, trabalho e estudo influenciam fortemente o risco de obesidade, e que fatores precoces, como condições na gestação e nos primeiros meses de vida, também têm impacto significativo. Para essas entidades e especialistas, a ideia de que o problema depende apenas de “força de vontade” pode, inclusive, dificultar o acesso ao tratamento adequado. A pesquisa da Ipsos também indicou que 7 em cada 10 entrevistados globalmente concordam que a obesidade é uma condição médica que requer acompanhamento contínuo, embora no Brasil essa percepção seja menor, atingindo 55%.

No contexto brasileiro, números recentes do Ministério da Saúde mostram que mais de 60% da população está acima do peso, com 25% já enfrentando um quadro de obesidade. A pesquisa da Ipsos ainda buscou entender a visão dos entrevistados sobre os riscos associados à doença. Enquanto 53% sabem da ligação da obesidade com o diabetes e 52% estão cientes da relação com doenças cardiovasculares, apenas 18% reconhecem a associação com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Além dos riscos físicos, o levantamento revelou impactos psicológicos significativos: 35% das pessoas com obesidade afirmam se sentir julgadas pela aparência, 35% muito autoconscientes ou envergonhadas, e 32% sentem que estão perdendo o autocontrole ou a força de vontade, com 36% ficando ansiosas ao pensar como os outros as enxergam.

Para enfrentar a obesidade e o sobrepeso de forma saudável, especialistas reiteram que a perda de peso não provém de dietas extremamente restritivas ou soluções rápidas, mas sim de um processo gradual de criação de um consumo de energia menor do que o gasto pelo corpo. Isso envolve mudanças de hábitos como prestar atenção ao tamanho das porções, reduzir ultraprocessados, aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes e fibras, praticar exercícios físicos regularmente, dormir bem e gerenciar o estresse. O acompanhamento de um profissional qualificado é essencial para uma perda de peso saudável.

É importante notar que chás, suplementos, termogênicos e cápsulas comercializadas para perda de peso não demonstram efeitos clinicamente significativos, ao contrário do que muitos anúncios prometem. As chamadas “canetas contra obesidade”, com princípios ativos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, surgem como uma alternativa com eficácia comprovada, muitas vezes desenvolvidas para o tratamento de diabetes. Contudo, elas não são indicadas para todos os pacientes e seu uso deve ser feito sob avaliação clínica e ajuste correto da dose, para evitar efeitos colaterais como náusea, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal.

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