Créditos: Foto/Divulgação

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Saúde

Medicamentos para perda de peso não funcionam em 30% dos pacientes; saiba motivo

Pesquisas indicam que algumas pessoas não respondem ao tratamento

Medicamentos injetáveis para perda de peso, como Ozempic e Wegovy, têm demonstrado eficácia notável na redução de gordura corporal. No entanto, uma parcela significativa de usuários não obtém os resultados esperados. Pesquisas recentes indicam que entre 10% e 30% dos pacientes tratados com agonistas do receptor GLP-1 são classificados como “não respondentes”, perdendo menos de 5% do peso corporal após aproximadamente seis meses de tratamento com a dose máxima tolerada.

A semaglutida, principal componente desses medicamentos, atua como um peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), imitando um hormônio intestinal natural liberado após as refeições. Sua ação desencadeia respostas fisiológicas cruciais para a regulação do peso, incluindo a liberação de insulina para controle do açúcar no sangue, o retardo do esvaziamento gástrico, promovendo saciedade prolongada, e o envio de sinais aos centros cerebrais da fome para suprimir o apetite. Apesar desses mecanismos potentes, a variabilidade na resposta individual levanta questões sobre os fatores que limitam sua eficácia em alguns casos.

Diversos fatores podem contribuir para a falta de resposta aos medicamentos à base de GLP-1. Um deles está relacionado à adesão ao tratamento, com estudos mostrando que 20% a 60% das pessoas interrompem o uso no primeiro ano, ou o utilizam em doses abaixo das recomendadas. Problemas metabólicos, como a resistência à insulina, onde as células não respondem adequadamente ao hormônio, podem bloquear a ação da semaglutida. Distúrbios do sono também são apontados como inibidores, pois a privação de sono comprovadamente retarda a liberação natural do hormônio GLP-1. Além disso, o uso concomitante de outros medicamentos, como corticosteroides e psicotrópicos, que podem induzir ganho de peso, pode mitigar os efeitos dos agonistas de GLP-1.

A resposta aos medicamentos também pode ser influenciada por características individuais, como o sexo, com mulheres apresentando consistentemente maior perda de peso em comparação aos homens, possivelmente devido a níveis mais elevados de estrogênio que melhoram a sensibilidade à insulina e estimulam a secreção de GLP-1. A composição genética desempenha um papel crucial; variantes no gene da enzima PAM, presentes em cerca de 10% da população, podem causar resistência ao GLP-1. Variações genéticas nos receptores GLP-1R e GIPR também foram associadas a diferenças na perda de peso e maior incidência de diabetes tipo 1 e outros problemas metabólicos. Outro aspecto relevante é a causa subjacente da obesidade, que pode ser categorizada em quatro tipos de fome: de base de queima lenta, intestinal, cerebral (por hábito ou estresse) e emocional (para lidar com sentimentos). Se o medicamento não atinge a causa primária, a resposta pode ser limitada, especialmente para a fome emocional, onde a medicação não trata a raiz da ansiedade ou depressão.

Diante da complexidade da obesidade e da variabilidade na resposta aos tratamentos, a integração de abordagens complementares e o avanço da medicina de precisão tornam-se essenciais. Para pacientes com fome emocional, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ser um complemento importante. Uma dieta rica em proteínas e fibras pode otimizar a eficácia para a fome intestinal. Para a fome cerebral, agonistas duplos como a tirzepatida (Mounjaro), que atua nos hormônios GLP-1 e GIP, podem ser mais eficazes, enquanto exercícios de resistência podem auxiliar na fome de queima lenta ao aumentar a taxa metabólica de repouso. O futuro do tratamento da obesidade aponta para a análise de genes e padrões de estilo de vida de cada paciente, visando associá-los à medicação correta, com testes genéticos para variantes associadas à falta de resposta representando um próximo passo crucial para terapias mais personalizadas e eficazes.

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