Dor nas costas (Foto: Freepik)

Dor nas costas lidera afastamentos no Brasil e expõe grandes desafios da medicina

Para o Dr. Guilherme Henrique Porceban, estrutura da medula explica desafio na regeneração de tecido nervoso

Se você já travou tentando amarrar o sapato, saiba que a culpa não é só da idade e você definitivamente não está sozinho. As dores nas costas continuam sendo um verdadeiro pesadelo para a saúde pública no país. Apenas em 2025, a dorsalgia liderou o topo do ranking de licenças médicas do INSS, somando impressionantes 237.113 benefícios concedidos.

Esse volume absurdo de afastamentos acende um alerta sobre a gravidade e a complexidade dos problemas de coluna. É exatamente nesse ponto que ganha destaque o trabalho do médico Guilherme Henrique Porceban, especialista em cirurgia da coluna vertebral. Ele revela os motivos que fazem a recuperação total de certas lesões ser um dos maiores quebra-cabeças da medicina moderna.

Formado pela USP de Ribeirão Preto, ex-oficial médico da Força Aérea Brasileira e mestre em cirurgia translacional pela Unifesp, Guilherme Henrique Porceban une a vivência do centro cirúrgico à pesquisa científica. O foco de sua atuação clínica esbarra em diagnósticos complexos: doenças degenerativas, traumas e tumores.

A grande questão, segundo o especialista, mora na estrutura da medula espinhal. A dificuldade natural do corpo humano em regenerar o tecido nervoso explica por que, historicamente, a ciência patinou tanto na reversão de danos graves. Hoje, a meta de um tratamento de lesão medular é puramente conter o estrago o mais rápido possível. Os médicos correm para estabilizar fraturas ou retirar tumores que estão esmagando o nervo, evitando que o quadro do paciente piore. O grande obstáculo, no entanto, é que restabelecer a área onde a lesão já se instalou continua sendo uma barreira enorme, o que justifica o baque social e econômico dessas doenças na vida dos brasileiros.

Fugindo de tratamentos milagrosos, Guilherme Henrique Porceban também se consolidou como uma voz forte na divulgação científica. O médico defende uma comunicação transparente e altamente ética, ajudando os pacientes a encararem diagnósticos devastadores com os pés no chão, cientes dos avanços, mas também dos limites reais dos tratamentos atuais.

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