Doenças cardiovasculares (Foto: Pexels)

Doenças cardiovasculares matam uma pessoa a cada 72 segundos no Brasil

Projeções da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam alta de 10,8% nos óbitos até 2030.

A cada 72 segundos, uma pessoa morre por doença cardiovascular no Brasil. Em média, são registradas 1.194 mortes por dia, o que equivale a cerca de 50 por hora, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (8) pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Somente em 2026, o país já contabilizava 334.898 óbitos por essas causas até as 11h de quinta-feira. Projeções da entidade apontam que o número anual de mortes poderá subir 10,8% até 2030, passando de 417.550 óbitos em 2024 para 462.573 no fim da década, caso as tendências observadas nas últimas duas décadas sejam mantidas.

Queda na taxa de mortalidade em 20 anos

Os números absolutos contrastam com a redução de 36% na taxa de mortalidade cardiovascular padronizada por idade nos últimos 20 anos. O índice passou de 306,4 mortes por 100 mil habitantes nos anos 2000 para 195 por 100 mil habitantes em 2024.

Segundo o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, do Instituto do Coração (InCor), a queda decorre da identificação e do tratamento mais precoces de infartos e AVCs em unidades de pronto atendimento (UPAs) e serviços de emergência. Apesar disso, o especialista alerta que a prevenção ainda está longe do ideal.

Entre os principais fatores de risco destacados estão hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e estresse.

Desigualdades regionais

Os dados apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro, mostram disparidades entre os estados:

  • Alagoas: maior taxa do país, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes.
  • Amapá: 225,1 mortes por 100 mil habitantes.
  • Mato Grosso do Sul: 220,4 mortes por 100 mil habitantes.

Bortolotto aponta que as diferenças regionais refletem dificuldades de acesso ao tratamento adequado e aos cuidados de saúde.

Nova plataforma de dados

Durante o evento, a SBC lançou o Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma que centraliza estatísticas de mortalidade, incidência, prevalência, fatores de risco e o Cardiômetro. A ferramenta também calcula impactos como anos de vida saudável perdidos (DALYs).

Para o coordenador da plataforma, Antonio Luiz Pinho Ribeiro, o aumento projetado para 2030 não é inevitável. A trajetória pode ser modificada com a expansão de políticas públicas de prevenção, melhoria no acesso ao diagnóstico e controle rigoroso dos fatores de risco.

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