Dor nas costas (Foto: Pexels)

Cirurgia minimamente invasiva transforma tratamento de doenças da coluna

Técnica moderna reduz dor e acelera a recuperação

A dor nas costas é um problema crônico que afeta a qualidade de vida de uma parcela imensa da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 75% e 84% dos adultos enfrentarão ao menos um episódio de dor na coluna ao longo da vida, fazendo da condição a principal causa de incapacidade e afastamento do trabalho no mundo. Um estudo publicado na revista científica The Lancet reforça o alerta: 619 milhões de pessoas viviam com dor lombar em 2020, número que deve saltar para 843 milhões até 2050. No entanto, o clássico medo do bisturi e do tempo de cama ainda afasta muitos pacientes da busca por um alívio definitivo.

A boa notícia é que o avanço da medicina enterrou a era das grandes incisões e das internações intermináveis, dando lugar a procedimentos muito menos agressivos ao corpo. Ao contrário dos métodos cirúrgicos abertos e tradicionais, que exigem cortes extensos e causam um dano muscular considerável, a cirurgia minimamente invasiva utiliza pequenos acessos. O ápice dessa tecnologia é a via endoscópica, onde o cirurgião resolve o problema diretamente no alvo sem comprometer os tecidos saudáveis ao redor.

De acordo com o ortopedista Gustavo Ribeiro (CRM 192653/SP | RQE 118990), especialista em cirurgia da coluna vertebral pelo Hospital Albert Einstein e professor da técnica endoscópica, a mudança na experiência de quem vai para a mesa de operação é drástica. “O objetivo é tratar a causa do problema com a menor agressão possível aos tecidos saudáveis, preservando a musculatura e as estruturas ao redor da coluna”, explica o médico, em entrevista ao Feed TV.

Dr. Gustavo Ribeiro, ortopedista

Esse grau de precisão permite tratar quadros incômodos, como hérnia de disco lombar ou cervical, estenose do canal vertebral e compressões nervosas que causam dor irradiada para braços ou pernas. O impacto no corpo do paciente é infinitamente menor, com a vantagem de entregar resultados funcionais idênticos aos das cirurgias convencionais. Entre os ganhos diretos estão a redução do sangramento, a queda no risco de infecções e a menor necessidade de uso de analgésicos pesados no pós-operatório.

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Outro ponto alto da técnica, que atrai cada vez mais adeptos, é a agilidade para retomar o controle da própria vida. “Um dos aspectos mais valorizados pelos pacientes é justamente a recuperação. Muitos retomam caminhadas leves ainda nas primeiras horas após a cirurgia e voltam à rotina em poucos dias, algo impensável nas técnicas convencionais de décadas atrás”, afirma Gustavo Ribeiro. Em muitos casos, a alta hospitalar acontece no mesmo dia do procedimento.

Apesar de todo o aparato tecnológico, o bisturi não é a primeira nem a única saída. A cirurgia entra em cena quando os recursos clínicos não trazem o alívio necessário ou quando há risco de comprometimento neurológico. Para definir o melhor caminho, a avaliação médica, os exames de imagem e o perfil do paciente devem andar lado a lado. “Cada caso é único. Por isso, o diagnóstico preciso continua sendo o ponto de partida de qualquer tratamento bem-sucedido”, finaliza o especialista.

Por: Felipe Reis – @ofelipereis

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