Maça com fita métrica (Foto: Pexels)

Ciência revela os 4 padrões que definem se uma pessoa engorda ou emagrece

Pesquisadores explicam como o fenótipo alimentar individual dita o sucesso ou o fracasso das dietas.

A ideia de que “dieta não é tamanho único” ganha respaldo da ciência, que aponta que o emagrecimento e a manutenção do peso não seguem uma lógica única. Nos Estados Unidos, o gastroenterologista Andres Acosta mapeou quatro fenótipos que levam ao ganho de peso:

  • Fome cerebral: exige grande volume de comida para atingir a saciedade.
  • Fome intestinal: digere os alimentos rapidamente e gera fome precoce.
  • Fome emocional: utiliza a comida como mecanismo de enfrentamento ao estresse.
  • Metabolismo lento: associado à baixa massa muscular e menor gasto energético.

A pesquisa aponta que um terço das pessoas apresenta mais de um fenótipo simultaneamente, e esses padrões mudam ao longo da vida, conforme a idade e as circunstâncias.

No Brasil, a endocrinologista Andressa Heimbecher, trabalha com uma classificação semelhante. Ela descreve o padrão volumétrico, que demanda grandes quantidades para saciar; o beliscador misto, ligado ao sistema dopaminérgico em busca de prazer em doces e salgados; e o beliscador de doce, ligado ao sistema serotoninérgico, que busca o açúcar em momentos de ansiedade. Segundo a médica, tratamentos sofisticados falham justamente por ignorarem essas características individuais.

Estratégias personalizadas

Para o padrão beliscador de doce, cortes radicais de carboidrato tendem a falhar. A estratégia mais eficaz envolve alimentos de baixo índice glicêmico, que evitam picos e quedas bruscas de glicose. Já o padrão volumétrico não se adapta ao jejum intermitente ou a restrições drásticas, exigindo comida de baixa densidade calórica, rica em fibras e em porções generosas. No caso do beliscador misto, planos perfeitos falham se o desconforto superar a recompensa.

O uso de medicamentos, como os análogos de GLP-1, também varia de acordo com o padrão. No volumétrico, o remédio gera saciedade precoce. No beliscador, o resultado depende da origem do comportamento: se for fome física, o medicamento ajuda a sustentar os intervalos entre as refeições; se for hábito, tédio ou estresse, o remédio reduz a urgência, mas não elimina sozinho o gatilho comportamental.

A medicina caminha para uma abordagem de precisão, indicando que classificar o excesso de peso apenas por risco cardiovascular ou índice de massa corporal (IMC) não orienta o tratamento adequado. Reconhecer o próprio padrão alimentar afasta o processo da tentativa e erro, mostrando que o melhor tratamento é aquele que se alinha à forma como cada indivíduo se alimenta.

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