A crescente procura por procedimentos de preenchimento peniano tem gerado preocupação entre médicos e entidades de saúde no exterior. A prática, impulsionada por padrões estéticos e pressões socioculturais, envolve riscos que vão de assimetrias a complicações graves, como infecções e necrose dos tecidos.
A técnica não cirúrgica mais frequente consiste na injeção de ácido hialurônico na glande e nas laterais da haste peniana por meio de cânulas. O procedimento temporário promete um aumento de 10% a 20% na circunferência do órgão com duração média de seis a nove meses. Segundo profissionais do setor no Reino Unido, o custo pode atingir £ 3.500.
Embora existam relatos de pacientes satisfeitos com os resultados e a melhora na autoestima, urologistas alertam para os perigos envolvidos. A aplicação inadequada pode atingir estruturas vitais e vasos sanguíneos fundamentais para a função erétil. Casos graves resultaram em internações de emergência causadas pelo escurecimento e morte da pele peniana.
Além das injeções de substâncias temporárias, intervenções cirúrgicas — como o corte do ligamento suspensor e o enxerto de gordura corporal — também registram relatos de efeitos adversos intensos. Pacientes submetidos a esses métodos reportaram quadros de dor extrema, hematomas extensos e dificuldades temporárias de locomoção.
A falta de regulamentação é um dos principais fatores de preocupação. Na Inglaterra, a execução do preenchimento não exige formação médica obrigatória. No Brasil, conforme determina a Sociedade Brasileira de Urologia, a realização do procedimento é restrita a médicos com registro ativo no Conselho Regional de Medicina.
Diante do cenário, a Associação Britânica de Cirurgiões Urológicos revisou 36 estudos sobre o tema, abrangendo 3.750 homens, e publicou diretrizes desaconselhando a realização dessas intervenções estéticas. A entidade apontou a fragilidade das evidências científicas e a escassez de dados sobre os efeitos e a segurança das substâncias a longo prazo. Especialistas defendem a criação de cadastros oficiais e regras rígidas para controlar o setor.