Um estudo realizado na Suécia indica que o consumo diário de certos alimentos considerados gordurosos pode estar associado à redução do risco de demência. A pesquisa, liderada pela epidemiologista nutricional Emily Sonestedt, da Universidade de Lund, acompanhou cerca de 28 mil pessoas por um período de 25 anos e analisou hábitos alimentares e o surgimento da doença ao longo do tempo.
Os resultados mostram que indivíduos que consumiam maiores quantidades de queijo integral apresentaram menor risco de desenvolver demência, incluindo a forma vascular e, em alguns casos, Alzheimer. O mesmo efeito foi observado entre consumidores regulares de creme de leite integral. Já versões com baixo teor de gordura, assim como leite, manteiga e iogurtes, não demonstraram a mesma associação.
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“Por décadas, o debate entre dietas ricas em gordura versus dietas com baixo teor de gordura moldou as orientações de saúde, às vezes até categorizando o queijo como um alimento não saudável a ser limitado”, diz Sonestedt em comunicado. “Nosso estudo constatou que alguns laticínios integrais podem, na verdade, reduzir o risco de demência, desafiando algumas suposições antigas sobre gordura e saúde cerebral”.
Os pesquisadores apontam que o processo de fermentação e a presença de vitaminas lipossolúveis e compostos bioativos podem explicar parte do efeito observado sobre a saúde cerebral. Ainda assim, especialistas alertam que o estudo é observacional e não comprova relação de causa e efeito.
“Embora sejam dados interessantes, esse tipo de estudo não pode determinar se a redução do risco de demência foi realmente causada pelas diferenças no consumo de queijo”, diz Tara Spires-Jones, do Instituto de Pesquisa em Demência do Reino Unido.
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Apesar dos achados, a recomendação é de equilíbrio. Fatores como controle da pressão arterial, manutenção do peso, prática de atividade física e prevenção de doenças cardiovasculares continuam sendo as estratégias mais consolidadas para reduzir o risco de demência.








