Uma pessoa que morava nas imediações do Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, morreu após contrair malária, informaram as autoridades locais nesta quinta-feira (17/09).
Este é o terceiro óbito registrado na cidade em razão da doença, que também vitimou dois funcionários do aeroporto. A primeira morte ocorreu no início de julho, segundo a Secretaria de Saúde de Frankfurt, com a causa identificada apenas após o falecimento. A segunda morte foi registrada em agosto.
A terceira vítima residia no bairro de Schwanheim, nos limites do aeroporto, conforme a administração municipal. O óbito ocorreu após a notificação, na terça-feira, de dois novos casos de malária na região, enquanto a paciente estava sob cuidados no hospital universitário da cidade.
“Ambos os indivíduos haviam sido infectados pelo parasita Plasmodium falciparum, causador da malária, embora não tivessem viajado para uma região onde a doença é endêmica nem trabalhado no aeroporto”, informaram as autoridades de saúde de Frankfurt em nota. Os casos mais recentes no bairro de Schwanheim foram ligados a um mosquito Anopheles infectado que chegou à Alemanha em um avião. As infecções, contudo, não são transmitidas entre humanos.
“Malária de aeroporto”
De acordo com as autoridades, a chamada “malária de aeroporto” ocorre em casos muito raros, quando um mosquito infectado é trazido ao país em um avião ou na bagagem, e a transmissão ocorre posteriormente na aeronave, no aeroporto ou nas imediações.
As infecções aconteceram a cerca de cinco quilômetros do aeroporto, um dos maiores da Europa e importante hub de conexão de voos internacionais. Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), órgão de saúde pública da Alemanha, os mosquitos transmissores podem voar a distâncias entre cinco e dez quilômetros.
Em julho, seis funcionários do aeroporto contraíram malária tropical — a forma mais perigosa da doença — após serem picados por mosquitos que teriam chegado em voos procedentes de regiões endêmicas.
Diante do cenário, autoridades de saúde recomendaram que médicos da região considerem a malária como hipótese diagnóstica em pacientes com febre. Moradores locais e trabalhadores do aeroporto também foram orientados a buscar assistência médica em caso de sintomas.
Investigação e histórico
O Aeroporto de Frankfurt informou que mosquitos capturados em armadilhas foram enviados a um laboratório em Antuérpia, na Bélgica, em julho e agosto, mas os resultados ainda não estavam disponíveis. Um porta-voz do aeroporto afirmou que as autoridades locais de saúde pública têm, em princípio, autoridade para determinar que companhias aéreas realizem a desinfecção de aeronaves.
O Ministério do Exterior da Alemanha alertou que a malária pode provocar coma e morte, especialmente entre grupos vulneráveis, destacando que a proteção contra picadas e o uso de medicamentos preventivos reduzem o risco de infecção.
Um estudo sobre episódios de malária de aeroporto e de transmissão por bagagens na Europa entre 1969 e 2024 identificou 145 casos, sendo nove na Alemanha. O último episódio desse tipo no país havia ocorrido em 2023, também no Aeroporto de Frankfurt.