Uma publicação realizada pelo perfil do apresentador Luiz Bacci gerou controvérsia ao divulgar um trecho editado de um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O vídeo, que circula nas redes sociais, apresenta uma fala do mandatário completamente descontextualizada, alterando o sentido original de sua declaração sobre a educação e a classe trabalhadora.
No corte exibido pelo perfil, a edição faz parecer que Lula defende a ideia de que a população pobre “não foi feita para estudar”, mas sim apenas para trabalhar. O trecho isolado sugere uma postura que vai contra o histórico de discursos do presidente sobre a mobilidade social através do ensino.
Entretanto, a realidade dos fatos é diametralmente oposta. Conforme apurado e divulgado pelo Feed Política, que trouxe a gravação completa a público, a frase foi utilizada pelo presidente como um recurso retórico para ilustrar e criticar o pensamento elitista de décadas passadas.
No contexto integral do discurso, Lula argumentava a favor da expansão do ensino superior e do acesso dos mais pobres à universidade. Ao dizer a frase polêmica, ele estava citando o preconceito que existia antigamente, para, logo em seguida, condenar essa visão e exaltar as conquistas da educação inclusiva. A omissão do trecho onde o presidente deixa claro que aquela não é a sua opinião, mas sim o exemplo do que ele combate, configura uma distorção grave da mensagem.
Apenas na descrição do post, Bacci esclarece o contexto. Acontece que é notório e comprovado por especialistas em marketing, que poucos usuários de vídeo curto leem a descrição.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade na curadoria de conteúdo e os perigos da disseminação de cortes seletivos (conhecidos como “cortes secos”) que, intencionalmente ou não, fabricam narrativas falsas a partir de discursos reais.
O conteúdo de Bacci já ultrapassava 400 mil visualizações nos primeiros 30 minutos de publicação.