O Festival Rec-Beat celebrou a segunda noite de sua edição histórica de 30 anos reafirmando-se como o radar mais apurado da música contemporânea no Brasil. No domingo, o Cais da Alfândega tornou-se palco de um intercâmbio sonoro que conectou as raízes do Senegal e de Uganda ao vigor do rap paulista e à tradição reinventada da MPB.
A abertura ficou por conta de Afrobitch, que comandou um set focado em afrobeats e funk. Para a artista, a performance no coração do Recife Antigo foi uma afirmação política e estética, conectando linguagens que, segundo ela, unem o mundo através do corpo.
Na sequência, Chico Chico trouxe emoção ao resgatar clássicos brasileiros com uma roupagem de identidade própria. O show ganhou contornos ainda mais especiais com a participação de Renan Renan, em um encontro que arrebatou o público recifense. A noite seguiu para o Senegal com Momi Maiga, que hipnotizou a plateia ao fundir a ancestralidade da kora com elementos do jazz e do flamenco.
Josyara também brilhou ao subir no palco com sua guitarra e percussão, apresentando o repertório de “Avia” e “Mansa Fúria”. A baiana destacou a potência de dialogar com as três décadas do festival em um show marcado pela resistência técnica e lírica.
A experimentação atingiu seu ponto alto com o ugandense Faizal Mostrixx. Sua performance afrofuturista misturou batidas eletrônicas e movimentos que desafiaram as fronteiras rítmicas do Leste africano. O encerramento da noite coube a Ajulliacosta, que levou o peso do rap e do R&B de São Paulo para o palco, celebrando a ascensão da mulher preta e independente na música brasileira.








