Artista porto-riquenho leva cultura latina ao palco e gera críticas
No domingo (8), o astro porto-riquenho Bad Bunny transformou o palco do Super Bowl em uma vibrante celebração de sua cultura, apresentando um set inovador inteiramente em espanhol. A performance, que destacou a união em detrimento da divisão, ocorreu em meio a grande expectativa e, conforme o esperado, despertou a ira do presidente Donald Trump. O evento marcou um momento significativo para a representatividade latina em um dos maiores espetáculos televisivos dos Estados Unidos.
A expectativa em torno da apresentação de Bad Bunny, cujo nome de batismo é Benito Antonio Martínez Ocasio, era alta, especialmente devido a especulações sobre possíveis críticas à política de imigração do governo Trump. Contudo, o músico, que já havia prometido compartilhar sua cultura com alegria, optou por evitar declarações políticas explícitas. Em vez disso, ele utilizou mensagens sutis e símbolos para transmitir seu posicionamento, mantendo a promessa de celebrar suas raízes.
O espetáculo de Bad Bunny foi uma imersão na cultura porto-riquenha, recriando uma autêntica festa de rua. O cenário incluiu elementos como um engenho de cana-de-açúcar, um tradicional carrinho de “piragua” vendendo doces e até mesmo a encenação de um casamento. O show foi aberto com os sucessos “Titi Me Pregunto” e o hino feminista “Yo Perreo Sola”, com um elenco de dançarinos que amplificou a atmosfera festiva. Personalidades como os atores Pedro Pascal e Jessica Alba, além da rapper Cardi B, foram vistos desfrutando da apresentação em um espaço cenográfico conhecido como “La Casita”, que representava uma casa típica de Porto Rico.
Vestindo um conjunto todo branco, incluindo uma camisa de futebol americano com o número “64” e o sobrenome “Ocasio”, antes de um paletó elegante, Bad Bunny avançou para um terreno mais politizado com a música “El Apagón”. Esta canção aborda o deslocamento de porto-riquenhos em sua própria ilha e os problemas persistentes causados pela instabilidade da rede elétrica local. Durante a performance, ele carregou uma bandeira de Porto Rico. O show também contou com a participação surpresa de Lady Gaga, que cantou uma versão latina de “Die with a Smile”, a única letra em inglês da noite, e do cantor porto-riquenho Ricky Martin. Um momento marcante foi a aparição de um menino, identificado como o ator Lincoln Fox, que recebeu um gramofone dourado de Bad Bunny, simbolizando talvez uma versão mais jovem do próprio artista.
Ao final da apresentação, Bad Bunny citou países da América Latina, Porto Rico, Estados Unidos e Canadá, arremessando uma bola de futebol americano com a frase “Together, we are America” (“Juntos, somos a América”). Uma tela gigante no estádio exibiu a mensagem: “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”. Apesar das mensagens de união e da ausência de menções diretas ao presidente, Donald Trump rapidamente criticou a performance, afirmando que “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo” e chamando o show de “uma afronta à grandeza da América” em uma postagem na rede Truth Social. A decisão de Bad Bunny de destacar seu trabalho no Super Bowl gerou indignação entre conservadores, especialmente pela escolha de não cantar em inglês, mas foi motivo de orgulho para muitos porto-riquenhos, como Olvin Reyes, de 39 anos, que expressou o sentimento de orgulho pela representatividade.