De manhã, a alface que estava linda ontem amanhece cheia de buracos e com aquele rastro brilhante no chão. Lesmas e caracóis atacam à noite e somem de dia.
Uma solução caseira que se espalhou é usar a garrafa PET na horta: cortar em tiras ou anéis e cravar em volta das mudas. A ideia tem um bônus real contra o vento, mas, contra as lesmas, vale saber o que a pesquisa encontrou.
Por que lesmas e caracóis destroem tanto a horta?
Eles preferem folhas novas e macias, justamente as das mudas recém-plantadas. Atacam à noite ou em dias úmidos, quando a pele deles não resseca, e passam o dia escondidos embaixo de pedras, vasos, tábuas e folhas caídas.
Uma muda pequena pode ser devorada numa única noite. Por isso, a fase mais crítica é logo depois do plantio, quando a planta ainda tem poucas folhas para perder.
Barreiras ao redor das plantas funcionam?
Menos do que se imagina. A Royal Horticultural Society, entidade britânica de jardinagem, plantou 108 alfaces e testou por seis semanas as barreiras caseiras mais populares: fita de cobre, areia grossa, cascas de pinus, pellets de lã e cascas de ovo. Nenhuma reduziu o estrago em relação às alfaces sem proteção.
A explicação é o muco: a gosma grossa que elas produzem funciona como um escudo, permitindo deslizar por cima de superfícies ásperas. O plástico PET não estava no teste, mas, liso, ele também não é obstáculo para um bicho que sobe até em parede.
Onde a garrafa PET ajuda de verdade?
Ela rende mais quando é usada como mini-estufa, cobrindo a muda inteira, e não como cerca baixa em volta. Assim, a planta fica fechada nos dias em que é mais frágil.
- Anel ou espiral baixa: Cravada em volta da muda. Elas costumam passar por cima. Protege pouco contra lesmas.
- Anel alto e enterrado: Alguns centímetros no solo. Atrapalha um pouco, mas não impede. Protege a base contra o vento.
- Mini-estufa: Garrafa cortada cobrindo a muda. Fecha o acesso enquanto a muda é pequena e protege bem.
Na mini-estufa, um cuidado: em dias quentes de sol, abra a tampa ou retire a garrafa por algumas horas, para a muda não cozinhar no calor. Quando a planta crescer e ficar mais resistente, a garrafa sai de vez.
E a proteção contra o vento, faz diferença?
Faz, principalmente para mudas recém-transplantadas. O vento forte resseca as folhas, dobra o caule fino e pode até arrancar a muda do lugar. Uma barreira de garrafa ao redor, ou a mini-estufa, quebra a força do vento bem na altura da planta:
1. Menos ressecamento: A muda perde menos água pelas folhas nas tardes de vento. 2. Caule protegido: O caule ainda fino não fica balançando e quebrando. 3. Pegada mais rápida: Sem estresse do vento, a muda firma a raiz com mais facilidade.
O que mais ajuda a proteger a horta?
Como nenhuma barreira resolve sozinha, o melhor é combinar várias medidas simples:
- Recolher lesmas e caracóis à noite, com lanterna, logo depois de regar.
- Tirar do chão pedras, tábuas e folhas velhas onde elas se escondem de dia.
- Regar de manhã, não à noite, para o canteiro ficar mais seco quando elas saem.
- Começar as mudas em vasos ou canteiros elevados e só transplantar quando estiverem mais firmes.
Então aquela cerca de garrafas do começo tem valor, sim, mas talvez não pelo motivo que ele imaginava. Contra o vento da tarde, ela protege de verdade. Contra as lesmas, funciona melhor como mini-estufa sobre a muda pequena e junto com a coleta noturna. É reaproveitamento útil, desde que com a expectativa certa.
Este texto é informativo.
> Curiosidade: Lesmas e caracóis têm um senso de retorno: estudos mostram que, se forem soltos perto da horta, tendem a voltar. Por isso, quem recolhe os bichos costuma levá-los para bem longe do canteiro.