Milhares de brasileiros que vivem no Paraguai estão enfrentando as consequências do encerramento das atividades do Ueno Bank. A situação afeta estudantes, comerciantes e profissionais que dependiam da instituição para movimentar seus recursos no país.
O estudante de Medicina Vinicius Eduardo Nunes, que saiu do interior de São Paulo para Cidade do Leste, abriu conta no banco para pagar as mensalidades da faculdade. Com o dinheiro retido, ele teme o atraso nos pagamentos: “A gente fica meio desamparado, pensando: o que a gente vai fazer? Porque uma semana para pagar e tem que tirar dinheiro de algum outro lugar. Então, é bem difícil”, afirma ao JN, da TV GIobo.
Devolução em etapas
O Banco Central do Paraguai anunciou na quinta-feira (5) que fará a devolução do dinheiro dos clientes em etapas. Ao todo, serão transferidos 16 trilhões de guaranis, o equivalente a cerca de R$ 14 milhões. Nesta primeira etapa, 722 mil correntistas que tinham até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 8,8 mil) devem receber os valores de volta.
O limite máximo da cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai é de 228 milhões de guaranis por cliente, o que representa aproximadamente R$ 203 mil. Os depósitos serão realizados em contas de outros bancos.
Apesar do anúncio, há incerteza entre os clientes. O metalúrgico Blas Marcos Martinez, de Pedro Juan Caballero, relatou confusão sobre o processo: “Vai dar mais ou menos uns R$ 1,2 mil que eu tinha. A Câmara de senadores falou que vai começar a pagar. Mas não estou entendendo, disse que vão pagar em outro tipo de aplicativo, que vai ser em outro banco, que vão te informar. Mas não sabemos se é verdade. Vamos ficar aguardando”.
Impacto na rotina e negócios
Na sexta-feira (6) à tarde, a estudante de Medicina Vanessa Monteiro tentou usar um caixa eletrônico em Cidade do Leste para sacar seus recursos: “Não deu nem de entrar, que estava lacrado já, com esse papel aí na frente do banco, estava lacrado, não deu para entrar”, conta.
Os brasileiros representam o grupo de estrangeiros que mais pediu residência no Paraguai em 2026, somando atualmente 270 mil pessoas no país. Quem se mudou para empreender também relata dificuldades.
O médico Thayki Morais, proprietário de uma clínica de estética, está com as contas congeladas: “Muitos pacientes estão remarcando, ou muitos pacientes estão segurando a forma de pagar os procedimentos, porque as contas estão congeladas. Então, isso atingiu tanto a clínica como os próprios pacientes”, afirma.
Já o motorista Alberto Garay, que faz o transporte de estudantes entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste, conseguiu evitar maiores apertos graças ao recebimento em dinheiro vivo: “Graças a Deus, eu tinha um pouco em espécie. Aí não apertou muito. Mas estamos esperando que volte para todo mundo”.