O cinema brasileiro acaba de cravar mais uma vitória histórica na Europa. O longa Feito Pipa, comandado pelo diretor Allan Deberton, saiu do Festival Internacional de Cinema de Berlim com as duas estatuetas mais cobiçadas da mostra Generation Kplus, seção voltada ao público jovem. A produção levou para casa o Urso de Cristal de Melhor Filme, eleito pelo Júri Infantil, e o Grande Prêmio do Júri Internacional.
A trama, que transporta o espectador para as cores e a resistência do semiárido cearense, foca na jornada de Gugu, interpretado pelo estreante Yuri Gomes. O protagonista é um garoto de quase 12 anos que sonha em ser jogador de futebol enquanto lida com as complexidades de ser uma criança queer no sertão. O júri mirim destacou a força da narrativa, afirmando que as emoções dos personagens foram “comoventes e profundas”.
O elenco conta com o peso de Lázaro Ramos, que interpreta o pai de Gugu, e a sensibilidade de Teca Pereira, no papel da avó Dilma. É no vínculo silencioso e protetor com a avó que o menino encontra o porto seguro para enfrentar a rejeição familiar e as transformações da vida em uma comunidade que vê seu reservatório secar.
Em conversa com a DW Brasil, Lázaro Ramos celebrou o momento de vigor da nossa sétima arte. Para o ator, o sucesso de Feito Pipa — somado ao barulho de produções como Ainda Estou Aqui — marca um grito de identidade: “A gente renasce gritando para o mundo: esse é o nosso cinema!”. O diretor Allan Deberton reforçou que o filme é fruto de políticas de descentralização, levando a estética do Ceará para as telas globais.
Além do sucesso na mostra paralela, o Brasil segue bem representado na disputa pelo Urso de Ouro com os cineastas Karim Aïnouz e Beth de Araújo, consolidando 2026 como um ano de ouro para as produções nacionais no circuito internacional.