O cirurgião oncológico Bruno Bereza trouxe a público lembranças dos últimos dias de Isabel Veloso, influenciadora que travava uma batalha contra o câncer desde os 15 anos. A jovem morreu no sábado, 10 de janeiro, aos 19 anos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o médico relatou detalhes do acompanhamento clínico, da visita final no hospital e das conversas mantidas ao longo do tratamento.
Antes do transplante de medula realizado em meados de 2025, Bruno Bereza participou de uma conversa com Isabel Veloso e Lucas Borbas, marido da influenciadora. O encontro ocorreu na véspera da viagem para Curitiba. “Um dia antes de ela ir para Curitiba, eu, ela e o Lucas, a gente se reuniu e teve uma conversa em que a gente esclareceu tudo, a gente colocou as expectativas sobre aquilo. A Isabel se mostrava com bastante medo e falei que ia continuar acompanhando ela, ia continuar dando força para ela”, afirmou o médico.
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Durante o relato, Bruno Bereza destacou a postura de enfrentamento demonstrada por Isabel Veloso ao longo do tratamento oncológico. “Ela rezava muito, foi muito forte. Às vezes a gente fica doente e já fica de cama, então, eu olhava para ela, levando uma quimioterapia e eu sempre falava para ela que tem um objetivo aquilo. Então, ela tinha uma força por um objetivo, pela força de querer estar viva. Isso que a motivava a estar de tão bom humor e enfrentar tudo isso”, declarou.
Diagnosticada com Linfoma de Hodgkin em 2021, Isabel Veloso passou por uma internação prolongada a partir de novembro, em um hospital de Curitiba. Nesse período, ocorreu uma piora progressiva do estado clínico. “Ela já não conseguia responder muito bem o celular, no final de novembro ou começo de dezembro, ela foi entubada. Aí a gente obviamente perdeu o contato, fiquei mais com o Lucas e o Joelson [pai]”, recordou Bruno Bereza.
Mesmo sem presença física constante, o médico acompanhou a evolução do quadro. “No domingo, 4, ela estava muito melhor. No sábado, 3, ela teve um dia péssimo, a gente não sabia se ela tinha minutos ou horas de vida e, no domingo, quando amanheceu, ela teve uma melhora absurda. Melhorou tudo. Segunda-feira, 5, o rim voltou a funcionar, fígado voltou a funcionar, na terça, 6, ela estava ótima, na quarta, 7, estava bem, estável, na quinta, 8, ela teve uma piora”, relatou.
No dia da morte, Bruno Bereza viajou até Curitiba para visitar Isabel Veloso. Antes da ida à UTI, ocorreu um encontro com Joelson, pai da jovem, e Lucas Borbas. “Encontrei o Joelson e o Lucas, a gente foi tomar café da manhã. Uma coisa que chamou a atenção é que eles falaram assim: ‘Bruno, você não tem noção do quanto é importante essa visita e o quanto ela queria e pedia essa visita. Você não tem a menor ideia do quanto a Isabel te ama’. Não estou dizendo isso com nenhum sentimento equivocado, como tinha algo fraterno que a gente tinha, amizade e cuidado um com o outro”, explicou.
A chegada à UTI aconteceu por volta das 9h. Bruno Bereza conversou com o médico responsável pelo plantão e analisou exames e parâmetros clínicos. “Vi todos os controles vitais dela desde as últimas 24 horas, vi exame de sangue, vi com o estava o quadro dela, conversei com ele e me chamou atenção que ela estava há 24 horas muito estável. Ela estava hipotensa, mas estava com frequência cardíaca de 72 ou 80 e ela mantinha os mesmo parâmetros”, afirmou.
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Ao entrar na unidade intensiva, o médico descreveu a impressão ao reencontrar Isabel Veloso. “Eu saí do quarto dos médicos, fui até a UTI, quando eu cheguei lá eu achei que ia encontrar alguém irreconhecível, se tem mais de 30 dias de UTI, eu achei que eu ia encontrar alguém muito modificado. Eu não sabia muito bem em que leito ela estava, eu fui andando até que eu olhei e falei assim: ‘Nossa, é a Isabel’. E por incrível que pareça, que eu posso falar para vocês, ela estava linda, do jeito que ela sempre foi. Estava bonita, pele boa, bem cuidada, claro, estava sem cabelo, mas ela não estava de forma alguma desfigurada, como a gente pensa que o paciente estava”, descreveu.
Segundo Bruno Bereza, o semblante transmitia tranquilidade. “Estava com uma sensação de paz, um semblante de paz, não de sofrimento. Eu fiquei ali bastante tempo. Apesar da pressão baixa, o pezinho estava quente, estava bem perfundido. Eu fiquei bastante tempo com ela, eu precisava conversar bastante coisa com ela, fiquei uns 30 a 40 minutos falando com ela, estava sedada, mas eu precisava falar algumas coisas para ela”, contou.
Após a visita, o médico permaneceu acompanhando os dados à distância. “Olhando o monitor, tudo estava perfeitamente estável”, relembrou. Em seguida, Bruno Bereza conversou com Lucas Borbas e Joelson sobre a situação clínica e pediu a companhia de Lucas para contatar outra médica responsável pelo caso. Pouco depois, a equipe do hospital solicitou o retorno à UTI.
O momento da comunicação da morte ficou marcado na memória do cirurgião. “Naquele momento eu já reconheci: é a rotina, o padrão, de como se dá a notícia. Naquele momento, obviamente, bateu aquele frio, foi bem difícil, eu lembro que eu virei para o Lucas e o Joelson e falei: ‘Vocês estão preparados? A notícia não é boa’. Logo que a gente chegou, colocaram a gente numa salinha que passa a notícia”, relatou. “O doutor Gustavo falou que ela teve uma parada cardíaca e, segundo o relato dele, logo após eu ter saído, ela começou a apresentar uma bradicardia, que é o coração começar a bater mais devagar, e foi batendo lentamente até ela ter uma parada cardíaca.”
Ao final do depoimento, Bruno Bereza descreveu um sentimento coletivo de serenidade diante da despedida. “Todo mundo ficou em paz, desejando que ela tivesse feito a passagem, entendo que Deus permitiu que ela descansasse. O que eu posso dizer é que foi uma paz. Vai ficar saudade, com certeza. Mas, que todo esse momento trouxe muita paz, justamente porque o centro do ponto é que ela sempre esteve ao redor de pessoas que amam ela”, concluiu.
Veja o vídeo: